A construção coletiva do conhecimento.

Imagem: Mohamed Jamil Latrach


MARCO ANTÔNIO BALEEIRO ALVES*

A Pesquisa-Ação também nasceu da rebeldia intelectual de pesquisadores como Orlando Fals Borda, que denunciaram aquilo que chamavam de “colonialismo intelectual”

Por ocasião do lançamento do meu livro mais recente, Tecnociência Solidária em Áreas Rurais: (Re)Pensar a Pesquisa-Ação, e das diversas atividades de divulgação que venho realizando, tive a oportunidade de participar de inúmeras conversas com militantes, agentes do Programa de Formação Paul Singer da SENAES, professores, pesquisadores, servidores públicos, mulheres militantes da economia feminista e, especialmente, com aquelas extraordinárias senhoras de cabelos brancos que, ainda na década de 1990, ao lado de Marcos Arruda, Paul Singer, Ademar Bertucci, Betinho, Carlos Rodrigues Brandão e tantas outras pessoas, ajudaram a gestar a ideia de uma “outra economia”. Com sua experiência, compromisso político e sabedoria, elas preservaram esse legado muito além dos livros e da universidade, mantendo viva uma prática coletiva de transformação social.

Foi justamente nesses diálogos que passei a ser constantemente questionado sobre a metodologia da Pesquisa-Ação e sobre sua importância para a Economia Solidária.

Ao revisitar tantas histórias, torna-se instigante perceber que, muitas vezes sem nomear aquilo que faziam, aquelas mulheres e tantos trabalhadores e trabalhadoras que construíram o movimento da Economia Solidária já praticavam seus princípios mais fundamentais. Por meio da articulação entre teoria, participação e ação, mobilizaram pessoas como quem tece, coletivamente, um tecido vivo de organização popular. Mesmo sem uma sistematização metodológica mais aperfeiçoada, aquelas pessoas praticavam, em certa medida, algum nível de Pesquisa-Ação.

Ouvi de uma militante dessa geração que sobreviveu a todas as ondas reacionárias desde a década de 1990 uma história que descreve muito bem isso.

Naquele tempo, elas desenvolveram uma metodologia de ação sob a liderança de Betinho e outros intelectuais na qual consistia em reuniões com mulheres desempregadas e mães solos das periferias e comunidades do Rio de Janeiro, que necessitavam de alimentar suas famílias e seus filhos, para a distribuição de cestas básicas, sob a condição de que para receber tais mantimentos, deveriam se reunir entre si para um debate sincero a respeito de como proceder para a construção coletiva de uma nova economia.

A partir de reuniões desse tipo, surgiram ideias incríveis como aquelas que vieram a fortalecer os debates públicos e os movimentos sociais em favor de disputar uma economia, que independente de ser denominada de “popular” e “solidária”, atingia o cerne daquilo que reproduz exclusão no capitalismo: a organização patronal do trabalho e sua gênese pautada na exploração da mais valia.

Assim, venceu no 1º Forum Social Mundial, realizado em janeiro de 2001, em Porto Alegre – RS, a concepção de uma economia que pudesse ser capaz de solapar com as bases do capitalismo, calcada na organização de coletivos autogestionários e da propriedade coletiva dos meios de produção.

Foi esse tipo de dinâmica, calcada em um forte senso de participação social e democracia, que impulsionou iniciativas como a do Fórum Social Mundial e suas versões que se seguiram, além de inúmeras reuniões, debates e articulações políticas que, apesar das divergências, consolidaram uma força coletiva cuja potência continua reverberando até os dias atuais, a que nós chamamos hoje de economia solidária.

A Pesquisa ação no contexto da Economia Solidária: considerações críticas

Ao longo das conversas sobre o livro, fui provocado a refletir e escrever especificamente sobre aquilo que a Economia Solidária demanda da metodologia da Pesquisa-Ação.

Essa questão revela que não basta adotar a Pesquisa-Ação como um conceito metodológico. É necessário compreender sua essência política, seu compromisso ético com os coletivos autogestionários e sua capacidade de orientar a elaboração, implementação e avaliação de políticas públicas construídas com participação popular.

Antes de tudo, é importante esclarecer que, embora seja profundamente participativa, social e comunitária, a Pesquisa-Ação não pode ser reduzida ao conhecimento exclusivamente popular, tampouco a um simples levantamento de dados. Sua potência reside precisamente na articulação entre diferentes formas de conhecimento, produzidas no diálogo entre sujeitos que compartilham a tarefa de compreender e transformar a realidade. Portanto, não se trata de desprezar o conhecimento científico e sobrevalorizar o conhecimento popular, ou o contrário também não seria o mais adequado.

Sua origem representa uma ruptura com o empirismo positivista e com a tradição academicista que privilegia o quantitativismo e frequentemente se apresenta sob o falso discurso da neutralidade científica. Essa crítica alcança tanto a produção acadêmica quanto a formulação de políticas públicas, quando ambas se afastam das necessidades concretas da população.

A tecnociência, tal como historicamente se estruturou sob o capitalismo, tem servido predominantemente aos interesses das classes proprietárias e da acumulação privada da riqueza, em vez de responder às necessidades da maioria da sociedade. É diante dessa constatação que a Pesquisa-Ação se afirma como uma alternativa metodológica comprometida com a democratização do conhecimento.

Mais do que produzir informações, a Pesquisa-Ação busca politizar a própria produção científica, aproximando-a das experiências concretas dos trabalhadores, das comunidades e dos sujeitos historicamente excluídos dos processos de produção do conhecimento. Seu objetivo é retirar a ciência dos espaços fechados da universidade quando estes se tornam distantes da realidade social e recolocá-la em diálogo permanente com aqueles que enfrentam cotidianamente os problemas que a pesquisa pretende compreender.

Sua matriz crítica dialoga profundamente com a tradição marxista ao revelar o caráter socialmente situado da tecnociência hegemônica (capitalista) e ao compreender que toda produção científica está inserida em disputas de poder. Por isso, parte sempre de problemas concretos, de natureza social e política, assumindo explicitamente o compromisso de transformar a realidade por meio da ação coletiva.

Ao mesmo tempo, a Pesquisa-Ação é profundamente freiriana. Ela somente existe quando construída de forma horizontal, participativa e dialógica. Como ensinou Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém; ninguém educa a si mesmo; os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” Essas palavras trazem a essência da Pesquisa Ação.

Nesse sentido, a Pesquisa-Ação compreende o mundo como espaço permanente de aprendizagem. A educação ganha sentido quando dialoga com as diferentes culturas, enfrenta as desigualdades estruturais e fortalece a capacidade crítica das pessoas para compreender e transformar sua própria realidade, promovendo justiça social, democracia e emancipação coletiva.

A Pesquisa-Ação também nasceu da rebeldia intelectual de pesquisadores como Orlando Fals Borda, que denunciaram aquilo que chamavam de “colonialismo intelectual”.

Seu projeto consistia na construção de uma “universidade popular” e de uma ciência comprometida com os interesses das maiorias sociais. Tratava-se de romper com a reprodução acrítica de modelos científicos importados dos países centrais do capitalismo e construir formas de conhecimento enraizadas nas experiências latino-americanas.

Historicamente, as universidades da periferia do capitalismo foram organizadas para atender prioritariamente às elites nacionais, reproduzindo modelos europeus e norte-americanos e formando, sobretudo em seus primórdios, quadros destinados à administração do Estado e à manutenção da ordem social vigente. A Pesquisa-Ação surge justamente como uma crítica a essa tradição.

Convém lembrar, que não existe consenso sobre a autoria responsável pela sua elaboração. Ao contrário, tudo indica que ela foi sendo construída coletivamente por diversas gerações de pesquisadores comprometidos com a transformação social. Na América Latina, especialmente a partir da década de 1970, em meio às crises do capitalismo periférico, ao avanço da globalização e ao fortalecimento do imperialismo norte-americano, consolidou-se aquilo que ficou conhecido como investigación-acción ou investigación alternativa.

Para muitos intelectuais críticos, profundamente comprometidos politicamente, oriundos das universidades públicas, tratava-se da esperança de construir uma pesquisa verdadeiramente democrática, capaz de responder às necessidades da maioria da população e não apenas aos interesses das elites econômicas e políticas.

Por essa razão, uma pesquisa que se limita ao levantamento de dados, sem compromisso com a transformação da realidade, dificilmente pode ser considerada Pesquisa-Ação em seu sentido pleno.

Seu elemento constitutivo é o compromisso com a resolução coletiva de problemas concretos. Talvez tenha sido justamente essa característica que motivou tantas críticas provenientes dos setores mais conservadores da universidade, para os quais a neutralidade tecnocientífica deveria permanecer como princípio absoluto.

Uma metodologia de pesquisa que renuncia ao enfrentamento dos problemas concretos da sociedade tende, ainda que involuntariamente, leva a reprodução das velhas estruturas existentes. Por isso, os problemas precisam estar no cerne da metodologia, descritos de forma clara, a partir das vozes sinceras das pessoas que vivem aqueles mesmos problemas em seu cotidiano.

Ao desvincular a produção tecnocientífica das necessidades populares, corre o risco de converter-se apenas em mais um instrumento de manutenção das desigualdades e da reprodução dos interesses das classes dominantes.

É justamente contra essa lógica que a Pesquisa-Ação afirma seu compromisso histórico com a democratização do conhecimento, a participação popular e a construção coletiva de alternativas para uma sociedade mais justa.

O que é a metodologia da Pesquisa-Ação e como ela pode ser implementada?

A Pesquisa-Ação surgiu como uma reação ao paradigma dominante da pesquisa tradicional, que tende a excluir os sujeitos investigados do processo de produção do conhecimento. Seus principais expoentes, como Paulo Freire, João Bosco Pinto, Marcela Gajardo e Carlos Rodrigues Brandão, defendem uma metodologia baseada em uma pedagogia dialógica, na qual pesquisadores e participantes aprendem conjuntamente, compartilhando saberes distintos e complementares.

Nessa perspectiva, o conhecimento popular espontâneo deve transformar-se em conhecimento popular organizado e, ao dialogar com o conhecimento acadêmico, constituir um conhecimento científico socialmente útil, voltado para a resolução dos problemas identificados pela própria comunidade. A Pesquisa-Ação busca desenvolver uma consciência crítica por meio da articulação entre reflexão científica e reflexão política, integrando investigação, educação e ação em um processo orientado para a transformação social.

Ao participar da pesquisa, a comunidade amplia sua compreensão sobre a realidade em que vive e, simultaneamente, fortalece sua capacidade de intervir para transformá-la em benefício próprio. No modelo ideal, a população participa de todas as etapas da investigação: definição do problema, elaboração do projeto, coleta e análise dos dados, planejamento das ações e intervenção na realidade. Quando essa participação integral não é possível, é fundamental garantir que os resultados da pesquisa sejam devolvidos e discutidos com a comunidade, assegurando-lhe o controle social do processo investigativo.

Embora possam ser utilizados métodos tradicionais de coleta de dados, a Pesquisa-Ação privilegia abordagens qualitativas, interpretativas e hermenêuticas, capazes de compreender a realidade a partir da experiência dos próprios sujeitos envolvidos.

A relação entre o conhecimento científico e o conhecimento popular constitui um dos fundamentos dessa metodologia. O pesquisador não ocupa uma posição de superioridade, mas atua em diálogo com a comunidade, reconhecendo que ambos produzem conhecimento de forma complementar. Por isso, rompe-se a separação tradicional entre sujeito e objeto da pesquisa, substituindo-a por uma relação de participação ativa e construção coletiva do saber.

Além disso, aqui é preciso lembrar que as pessoas envolvidas na pesquisa não podem ser meros participantes, a partir de uma perspectiva ofertista de uma ideologia ou de uma visão de mundo. Elas precisam ser agentes ativos da pesquisa, de forma também poderem ser chamadas de pesquisadores.

A Pesquisa-Ação também redefine a relação entre teoria e prática. A produção do conhecimento ocorre em interação permanente com a ação transformadora, de modo que a investigação alimenta a intervenção, enquanto esta gera novos conhecimentos. Nesse sentido, toda ação possui uma dimensão política, razão pela qual a pesquisa requer algum nível de organização coletiva capaz de mobilizar os sujeitos para a transformação da realidade.

Comprometida com os interesses dos grupos socialmente vulnerabilizados e historicamente explorados, a Pesquisa-Ação rejeita a ideia de neutralidade absoluta do pesquisador. Contudo, esse compromisso não exige que intelectuais, técnicos ou cientistas abandonem sua identidade profissional ou procurem se confundir com a comunidade. Ao contrário, sua contribuição específica consiste justamente em colocar o conhecimento técnico e científico a serviço das demandas populares, sem assumir posturas paternalistas ou autoritárias.

Da mesma forma, essa metodologia rejeita qualquer forma de dogmatismo. A produção do conhecimento deve ocorrer de maneira crítica e participativa, evitando tanto a imposição de uma suposta “ciência para o povo” quanto a reprodução das relações tradicionais de poder entre pesquisadores e pesquisados. O controle do processo investigativo deve ser compartilhado entre todos os envolvidos.

As fases da Pesquisa-Ação

De modo geral, a Pesquisa-Ação desenvolve-se em quatro fases principais.

A primeira consiste na organização institucional e metodológica da pesquisa, realizada em conjunto com as organizações representativas da comunidade. Nessa etapa são definidos os objetivos, conceitos, hipóteses, métodos, responsabilidades da equipe e estratégias de capacitação dos pesquisadores, além de promover atividades de informação e debate com a população.

A segunda fase corresponde ao diagnóstico preliminar da realidade social. Busca-se compreender a estrutura social da comunidade, suas características socioeconômicas, técnicas e culturais, bem como a percepção dos próprios moradores sobre seus principais problemas. Os resultados desse diagnóstico são apresentados e discutidos coletivamente, permitindo validar as informações obtidas, identificar as prioridades da comunidade e orientar as etapas seguintes da pesquisa.

Na terceira fase realiza-se a análise crítica dos problemas considerados prioritários. Por meio de grupos ou círculos de estudo, pesquisadores e participantes procuram compreender as causas, relações e possíveis soluções para os desafios identificados.

A quarta fase corresponde à elaboração e execução do plano de ação. São desenvolvidas atividades educativas, estratégias de intervenção e ações voltadas para solucionar ou minimizar os problemas diagnosticados, tanto em nível local quanto em escalas mais amplas. Essa etapa inclui ainda um processo permanente de avaliação e retroalimentação, permitindo revisar continuamente os objetivos, os métodos e os resultados alcançados.

Apesar de seu grande potencial transformador, a Pesquisa-Ação enfrenta algumas limitações. Em certos casos, ela é reduzida a um simples instrumento de mobilização política, deixando em segundo plano a produção sistemática de conhecimento. Nessas situações, a pesquisa perde seu caráter investigativo e transforma-se apenas em um processo de transmissão de ideias.

Outra fragilidade recorrente é a ausência de explicitação do referencial teórico, dos conceitos, das hipóteses e dos procedimentos metodológicos que orientam a investigação.

Frequentemente faltam sistematização, avaliação crítica e rigor científico.

Como observa João Bosco Pinto, duas distorções tendem a aparecer: a ingenuidade e a malandragem. A ingenuidade manifesta-se quando o compromisso ideológico substitui a reflexão crítica e desconsidera os condicionantes objetivos da realidade social. Já a malandragem consiste em utilizar o discurso da participação apenas para legitimar formas sofisticadas de controle social. Por isso, a Pesquisa-Ação exige permanente rigor lógico, sólida fundamentação teórico-metodológica e consistente base empírica, preservando simultaneamente seu compromisso científico e sua vocação transformadora.

Considerações finais

É necessário reconhecer a importância da Pesquisa-Ação e suas aplicações, em especial, quando a intenção da pesquisa é desenvolver formas de aperfeiçoar a prática, seja a prática da militância e seu papel de formação de base, seja a prática da pesquisa em si mesma, quando se deseja romper com os padrões academicistas.

Ela também pode ser útil no aperfeiçoamento das políticas públicas quando o Estado necessita estar mais próximo da população e compreender suas demandas de qualquer natureza, sejam elas sociais, de geração de trabalho e renda ou mesmo de condições gerais de vida, saúde ou educação.

Atualmente, ela se apresenta como ainda mais importante para a formação da militância, especialmente devido as mudanças sociais que o Brasil enfrenta.

Em um cenário marcado pelo enfraquecimento da legislação trabalhista em decorrência de políticas de flexibilização das relações de trabalho, particularmente durante os governos Temer e Bolsonaro, e pela crescente centralidade das tecnologias digitais na organização da vida social, os processos de conscientização tornaram-se ainda mais complexos. Longe de constituírem instrumentos neutros, essas tecnologias expressam valores, interesses e relações de poder que, frequentemente, reforçam a desinformação, a fragmentação do tecido social e processos de adoecimento psíquico. Nesse contexto, aperfeiçoar as práticas de diálogo com a população torna-se uma condição indispensável para a construção de processos emancipatórios.

Sob a perspectiva da pesquisa-ação, um dos principais desafios consiste em estabelecer um diálogo crítico com a parcela da população que se encontra fortemente influenciada pela narrativa do self-made man, amplamente difundida por setores da extrema direita reacionária.

Ao atribuir o sucesso ou o fracasso exclusivamente ao mérito individual, essa concepção obscurece as determinações históricas, sociais e econômicas que estruturam as desigualdades, naturaliza formas de exploração do trabalho e enfraquece a capacidade de organização coletiva. Assim, mais do que contestar esse discurso, cabe à Pesquisa-Ação criar condições para que suas contradições sejam desveladas por meio da reflexão crítica e da experiência coletiva, favorecendo processos de conscientização e de participação democrática.

Nessa mesma direção, conforme sustentado pelo Pensamento Latino-Americano em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PLACTS), as transformações tecnocientíficas e os processos de inovação não devem ser compreendidos como fenômenos autônomos ou inevitáveis, mas como construções sociais orientadas por projetos políticos e interesses econômicos específicos. Consequentemente, a produção do conhecimento e o desenvolvimento tecnológico precisam ser submetidos ao debate público e orientados pelas necessidades da sociedade, e não exclusivamente pela lógica do mercado.

A problematização crítica dessas transformações, aliada à construção de alternativas fundamentadas nos princípios da economia solidária, das tecnologias sociais e da participação popular, deve ocupar lugar central nos processos de pesquisa-ação, contribuindo para a democratização das decisões sociotécnicas e para a construção de estilos de desenvolvimento mais justos, solidários e socialmente inclusivos.


*Marco Antônio Baleeiro Alves é pós-doutorando em Direito Público na FACAMP (Faculdades de Campinas).

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