
O declínio dos Estados Unidos é negado por seus líderes. O liberalismo justifica essa negação com falácias de excepcionalismo, superioridade idiossincrática ou demonstrações hipócritas de valores democráticos. Atribui qualidades míticas a um poder brando que perdeu seus fundamentos originais. Enquanto os neoconservadores repetem a mesma mensagem, exaltando a força militar, o realismo reconhece a adversidade, mas omite seus alicerces capitalistas. O diagnóstico preciso da expansão militar excessiva exige uma conceitualização complementar do imperialismo, e as teorias do declínio relativo pintam cenários sem explicar as tendências subjacentes.
As enormes adversidades enfrentadas pelos Estados Unidos são vistas nos mais altos círculos do poder como contratempos temporários. Eles se recusam a reconhecer o declínio, a rejeição externa ao belicismo americano ou a perda de influência geopolítica do país. Essa negação é conceituada com argumentos distintos por autores liberais e neoconservadores, que ignoram as evidências esmagadoras dessa regressão.
O declínio, contudo, é previsto por teóricos realistas, que documentam as evidências da queda, e por analistas do liberalismo crítico, que observam um recuo relativo causado por erros na política externa ou por distorções na gestão interna. Essa ampla gama de opiniões influencia, em graus variados, as correntes políticas que disputam a primazia dentro da elite dominante.
NEGALISMO LIBERAL
Teóricos liberais frequentemente resgatam mitos da identidade americana para justificar sua postura contrária ao declínio. Alguns argumentam que o país permanece como a principal referência internacional para uma ordem global de coexistência e progresso. Eles acreditam que o papel tradicional dos americanos como um “cidadão proeminente” desse sistema provavelmente perdurará devido ao legado excepcional da principal potência mundial (Ikenberry, 2018).
Com mais moderação do que no passado, este diagnóstico recria a antiga idealização dos Estados Unidos como uma potência singular que inspira admiração, respeito ou inveja no resto do mundo. Essa visão omite todos os indícios de uma perda dessa centralidade e continua a exaltar o país como um caso excepcional, isento dos infortúnios enfrentados por outros impérios.
Essa perspectiva ignora o fato de que todas as grandes potências proclamaram sua supremacia inabalável, reivindicando qualidades únicas e inimitáveis. Os ingleses exaltaram suas origens aristocráticas, os franceses sua liderança cultural e os alemães sua capacidade organizacional. Todos aludiram às virtudes de sua identidade nacional, que os que glorificam os Estados Unidos presumem ser exclusivas.
O “destino manifesto” em que se baseia essa avaliação foi alimentado por reivindicações de primazia anglo-saxônica, em contraste com os povos indígenas exterminados, os negros escravizados e os latinos explorados. A apropriação do termo “América” exclusivamente para os Estados Unidos levou inerentemente à depreciação do restante do continente. Essa desvalorização foi acentuada pela associação de prosperidade, bem-estar e clientelismo com o Norte, e de subdesenvolvimento, corrupção e incapacidade de autogoverno com a América Latina.
Mas esse contraste foi corroído pelo declínio do império. "América" persiste como um sinônimo comum para os Estados Unidos, mas sem o peso do elogio, da admiração ou da reverência do passado.
Muitos liberais descartam esse distanciamento, apontando que os Estados Unidos ainda possuem considerável capacidade de recriar sua preeminência internacional. Alegam que o declínio é uma percepção falsa, alimentada por questionamentos internos, feridas autoinfligidas ou um mal-estar generalizado entre a população. Atribuem essas teses decadentes à psicologia mutável dos próprios cidadãos do país (Nye, 2024a). Mas essas observações não são impressões passageiras ou sentimentos voláteis; são retratos reais das transformações pelas quais os Estados Unidos passam. O crepúsculo do Sonho Americano é evidente na acentuada deterioração do padrão de vida da população, ilustrada por indicadores de renda, saúde, educação, expectativa de vida e mobilidade social. O número de pessoas encarceradas, mortes por armas de fogo e falências familiares devido a dívidas confirmam esse diagnóstico. Esse clima de abatimento reflete as tragédias de uma sociedade fragmentada, violenta e desigual.
A visão convencional ignora ou minimiza essa evidência porque identifica os Estados Unidos com autoconfiança e a consequente capacidade de superar qualquer adversidade (Nye, 2024b). Mas não está claro por que essa qualidade seria tão exclusiva dessa nação. A história do século XX indica que um grande número de países conseguiu superar situações muito mais traumáticas do que as sofridas pelos Estados Unidos. Esse país sempre travou guerras além de suas fronteiras e nunca teve que lidar com a tragédia de invasões, como as sofridas pela Rússia ou pela China.
O antideclinismo liberal postula que os Estados Unidos incorporam os valores universais do liberalismo e tendem a exportar esses ideais para o resto do mundo. São vistos como portadores da democracia em todos os cantos do planeta, e essa promoção da civilização os diferencia de outros impérios (Ikenberry, 2024).
Mas essa autoproclamada virtude educacional mascara a hipocrisia de uma superpotência que usa bandeiras altruístas para justificar incursões brutais. Essas operações invocam direitos humanos, justiça, contenção de inimigos implacáveis ou auxílio às populações afetadas, quando na realidade simplesmente sustentam os negócios dos capitalistas. Enaltecendo harmonia e cooperação, realizam massacres para beneficiar a elite rica que governa o país. Além disso, Washington sempre emitiu mensagens salvíficas para dourar a pílula de intervenções que invariavelmente pioram as próprias situações que deveriam resolver.
Desde meados do século XX, o imperialismo americano exerce controle militar sobre o planeta por meio de um sistema de bases militares que substituiu o aparato colonial europeu. Estabeleceu seu domínio através de um mecanismo coercitivo, a antítese de qualquer forma de cooperação.
A duplicidade liberal obscurece esse fundamento, perpetuando a ilusão de respeito pela soberania alheia. Essa tolerância sempre se limitou a aliados ou vassalos e foi totalmente inexistente para adversários ou oponentes. O liberalismo persiste como o principal transmissor de falácias americanas e, portanto, permanece alheio ao ceticismo que essas falácias geram atualmente.
O MITO DO PODER SUAVE
De tempos em tempos, teóricos liberais reconhecem o declínio dos Estados Unidos, mas atribuem-lhe uma escala limitada. Eles enfatizam que seu país mantém vantagens em geografia (cercado por oceanos), moeda (primazia do dólar), demografia (renovação da força de trabalho) e tecnologia (especialmente digital) (Nye, 2024a).
Mas eles desconhecem as novas adversidades nesses setores e ignoram a relevância limitada dessas áreas, em comparação com o colapso industrial e a baixa produtividade da economia americana.
Visões condescendentes frequentemente presumem que os Estados Unidos derrotarão a China devido às suas vantagens consolidadas. Cegos pelo eurocentrismo, esses indivíduos não reconhecem que o desafiante asiático está conquistando todos os pódios da competitividade, um após o outro. A firme defesa do livre comércio por Pequim, em contraste com o protecionismo ressurgente de Washington, demonstra claramente quem possui a maior competitividade.
Ignorando esses fundamentos econômicos cruciais, o antideclinismo liberal proclama que os Estados Unidos prevalecerão devido ao seu poder brando de atração sobre um rival que carece dessa qualidade (Nye, 2024a). Enfatizam a enorme capacidade da potência dominante de persuadir outros a fazerem o que ela deseja. Acreditam que os Estados Unidos podem recriar e atualizar essa forma de poder para perpetuar sua primazia.
Mas essa enorme influência ideológica, cultural e política não deriva dos valores universais que o liberalismo enfatiza e idealiza, mas sim do dinamismo demonstrado pelo capitalismo americano no passado. O americanismo, como ideologia que exalta o capitalismo em sua forma mais pura, estava enraizado nesse vigor econômico e produtivo.
As mensagens sobre o contratualismo espontâneo, os benefícios da desigualdade social e os méritos da privatização irrestrita — tradicionalmente disseminadas pelos Estados Unidos — atraíram a admiração das classes dominantes em todo o mundo. Todos se deixaram seduzir pela idealização da corporação como um terreno fértil para talentos, exibindo o espírito aventureiro dos investidores e a criatividade dos gestores.
Esse elogio à empresa foi complementado pela veneração do individualismo como a virtude suprema da personalidade e pela exaltação da acumulação como uma longa jornada de capitalistas heroicos. O soft power dos Estados Unidos consolidou-se por meio da internacionalização dessa ideologia, que reverencia o capitalismo sem restrições.
O período pós-guerra foi uma era de ouro para esse americanismo, que conseguiu sobreviver ainda mais sob o neoliberalismo. Mas essa ideologia está perdendo seu apelo, em correlação direta com o declínio de sua inspiração. Os Estados Unidos não são mais vistos como exportadores de prosperidade, mas como arquitetos de tremendos processos destrutivos, e seu soft power não será ressuscitado simplesmente pela nostalgia de um contexto ideológico que desapareceu.
A glorificação generalizada do capitalismo persiste; foi revitalizada pelo neoliberalismo e atingiu um novo ápice com a extrema direita, mas perdeu sua associação com a superioridade ou primazia americana. A celebração do mercado e as expectativas de rápida ascensão social não são mais sinônimos do Sonho Americano.
O liberalismo ignora essa mudança qualitativa, imaginando que os Estados Unidos persistem como uma sociedade inovadora e poderosa, capaz de projetar seu poder sobre o resto do planeta por meio do domínio ideológico que forjou no passado.
Mas essa perspectiva superestima a capacidade dos bens culturais, do consumo de mídia e do controle das redes sociais de manter essa influência. A consolidação do inglês como língua franca ou a cooptação educacional de diversas elites globais por centros acadêmicos norte-americanos são insuficientes. O soft power opera nessas frentes, mas não pode ser constantemente reinventado e perde eficácia devido ao declínio significativo dos fundamentos produtivos desse poder.
O liberalismo compartilha do diagnóstico globalista, que apresenta a regressão americana como um episódio temporário decorrente da gestão errática de Trump. Pressupõe que, uma vez reconstruídas as instituições globais destruídas pelo magnata, os Estados Unidos recuperarão sua autoridade moral e domínio ideológico (Nye, 2024a). Imagina que a simples reconstrução das antigas alianças multilaterais será suficiente para restaurar o controle americano sobre o Ocidente, ressuscitando a influência de Washington que Trump degradou a níveis sem precedentes (Ikenberry, 2024).
Mas a erosão desses atributos antecedeu Trump e se completou sob seus antecessores liberais e globalistas. O magnata emergiu dos fracassos dessas administrações, e seus próprios erros confirmaram que o declínio do soft power não se deve unicamente à sua arrogância desdenhosa. Foi o colapso da globalização neoliberal que acelerou a erosão dessa força. A crença liberal de que os Estados Unidos podem superar seus infortúnios — e recuperar a hegemonia por meio de sua notável capacidade de adaptação a novas circunstâncias — não passa de um mito.
O declínio a longo prazo enfrentado pela principal potência mundial demonstra o contrário. O país exibe uma clara dificuldade em reconhecer e se adaptar ao mundo multipolar. Portanto, recorre a ações militares, que até mesmo os defensores do soft power consideram um recurso indispensável para manter a primazia global. Eles defendem, especialmente na Ucrânia, políticas ultra-beligerantes que contradizem a importância formalmente atribuída ao soft power (Slaughter, 2026).
Essa contradição não é a única, nem a menos importante, que envolve o liberalismo. A negação do declínio os impede de compreender o problema fundamental que o país enfrenta (Wolff, 2026a, 2026b).
A dureza do poder forte
A variante neoconservadora da negação do declínio compartilha com sua contraparte liberal a exaltação de valores universais, que os Estados Unidos supostamente exportam para o resto do mundo. Mas difere no fundamento dessa força benevolente. Em vez de situá-la no poder brando do Ocidente, atribui-a ao poder coercitivo demonstrado pelo Pentágono.
Essa perspectiva enfatiza o papel da principal potência mundial como guardiã do planeta e império benevolente (Kagan, 1998). Ela destaca que abandonar esse papel desestabilizaria a ordem mundial e levaria a um cenário de caos incontrolável. Lembra-nos que Washington afirma sua proteção ao mundo demonstrando força e que renunciar a essa ostentação minaria a liderança necessária para a sobrevivência da civilização (Kagan, 2026a).
Essa abordagem destaca a dívida que o mundo tem para com os Estados Unidos pelo apoio que o Pentágono oferece à democracia, à liberdade e ao progresso. Ela repete esses lugares-comuns do discurso liberal, com a adição de uma agressão belicosa explícita. Essa adição militarista fornece o ingrediente neoconservador específico ao discurso clássico do americanismo (Sanz, 2014).
Kagan é um notório defensor dessas mensagens, personificando em sua própria carreira o fervor militarista de sua ideologia. Ele foi um dos principais teóricos do “novo século americano” durante os anos Bush e prontamente justificou a invasão do Iraque e a devastação do Afeganistão. Posteriormente, envolveu-se no golpe de Estado na Ucrânia, cujo objetivo era promover a entrada do país na OTAN e provocar um confronto com a Rússia.
Atualmente, ele é um aliado próximo do genocida Netanyahu, rejeita qualquer reconhecimento do cenário multipolar, exige o rearme da Europa e do Japão e promove alianças internacionais que reconstroem a supremacia americana.
Ultimamente, ele adotou uma postura belicista e indignada contra a humilhação infligida pelo Irã. Ele critica veementemente a atitude vacilante do Pentágono, que, em sua visão, expressa o comportamento de uma "superpotência rebelde que não quer lutar" (Kagan, 2026b). Ele propõe embarcar o império na escalada que Trump tentou evitar, implementou apenas parcialmente e, por vezes, abandona com encobrimentos implausíveis.
De uma perspectiva neoconservadora, o declínio não é uma moda passageira, mas um perigo real decorrente do recuo militar dos Estados Unidos. Ao contrário dos liberais, eles não escondem nem minimizam a centralidade da ação armada na manutenção do status dominante da maior potência mundial. Enfatizam essa característica sem qualquer filtro, consideram-na parte do DNA da nação e lembram a todos que o Pentágono é o arquiteto de todas as vantagens alcançadas pelo gigante norte-americano.
Essa justificativa da coerção está inserida na narrativa tradicional de um país que normalizou a guerra como o destino inevitável de um povo escolhido para cumprir mandatos patrióticos. Essa narrativa obscurece a violência perpetrada nos países invadidos e os massacres cometidos pelos fuzileiros navais . A brutalidade da guerra é simplesmente aceita como um fato imutável e, por essa razão, o cenário de guerra tornou-se parte integrante do senso comum de grande parte da população americana.
A aliança de Hollywood com o Pentágono ajudou a popularizar essa ideologia, dissolvendo a realidade sangrenta da guerra no fascínio do visual. Isso permitiu a ampla adoção da imagem missionária dos fuzileiros navais como salvadores de uma civilização ameaçada por inimigos em constante mudança. As características raciais, linguísticas e nacionais dos adversários eram periodicamente alteradas para criminalizar comunistas, muçulmanos ou traficantes de drogas, dependendo do que fosse conveniente para a época.
O trumpismo soberanista reavivou essa exaltação do militarismo americano. Com essa mensagem, conquistou uma massa plebeia receptiva aos mitos do americanismo e descontente com as elites globalistas do Caribe. Essas lendas não apenas exaltam o gênio dos americanos, mas também acusam o resto do mundo de ingratidão por não reconhecer o que os Estados Unidos fizeram por eles.
Todo o discurso do MAGA se baseia em crenças desse tipo. A mensagem de restaurar a grandeza da América está sempre ligada a uma dívida para com o benfeitor americano. O protecionismo, as exigências monetárias, os apelos à reindustrialização e as reivindicações por territórios, recursos naturais e localizações estratégicas que Trump articula com tanta veemência se fundamentam nessa premissa de pagamento devido ao filantropo americano.
O trumpismo também destaca a base religiosa do credo neoconservador, que apresenta os Estados Unidos como um país escolhido por Deus para consolidar a superioridade anglo-saxônica e as crenças protestantes. Marco Rubio complementa essa base com um renascimento da ideologia macarthista. Esses preconceitos da Guerra Fria atribuem a qualquer ação do Ocidente um propósito salvífico para a única civilização que merece perdurar e governar a humanidade.
DIAGNÓSTICO REALISTA
As visões negacionistas estão perdendo terreno diante da inegável força do declínio americano. Em contrapartida, seus oponentes, embora em declínio, estão ganhando terreno com explicações de diversas naturezas. A influência dessa corrente é evidente entre os teóricos realistas da área de Relações Internacionais, que reconhecem o declínio e o atribuem a uma base geopolítica.
Eles argumentam que os Estados Unidos desperdiçaram o momento unipolar que se seguiu ao colapso da URSS, travando guerras sem sentido para instalar seus próprios regimes fantoches no Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, Líbano, Sudão e Somália. Acreditam que a maior potência mundial desperdiçou energia e recursos nessas operações fúteis, que tiveram as consequências negativas mais graves na Ucrânia. Enfatizam que os Estados Unidos romperam alianças e perderam influência política devido às suas fracassadas aventuras militares.
Esta perspectiva argumenta que os erros de diversos governos desorientaram a principal potência mundial diante do novo cenário multipolar. Ela defende o reconhecimento de que os Estados Unidos não podem mais impor sua agenda e devem considerar as demandas de outros atores, especialmente as de seus dois principais rivais, Rússia e China. Propõe a adoção de políticas que se adaptem à atual ordem mundial (Mearsheimer, 2023).
Mas, com essa abordagem, eles exaltam o pragmatismo e evitam investigar os processos subjacentes que determinam a regressão estrutural que afeta a potência dominante. É por isso que o declínio não ocupa um lugar significativo em sua visão. O realismo evita avaliar a dinâmica histórica da ascensão e queda das grandes potências. Ele nunca conecta esses ciclos às contradições dentro do capitalismo ou aos desequilíbrios estruturais desse sistema.
O realismo estuda apenas as relações entre poderes, entendendo-as como determinadas pela tensão, desconfiança ou rivalidade geradas pela luta pelo poder. Destaca a presença de atores que buscam a supremacia, movidos por impulsos de dominação ou autopreservação, e aponta que essas percepções dão origem à agressão, ao medo ou à perplexidade. As dinâmicas sócio-históricas que determinam esses cursos de eventos são tão ignoradas quanto seu fundamento no capitalismo. Não conseguem captar como esse sistema social condiciona todas as tensões em jogo.
Esta investigação é substituída por uma mera avaliação do estado dos conflitos entre potências, baseada num diagnóstico da natureza invariavelmente provisória da supremacia alcançada por qualquer adversário. Enfatiza-se que a dominância global nunca pode ser sustentada a longo prazo e que a projeção de poder só é estável numa escala regional mais reduzida. A própria superioridade militar que dissuade os rivais está sempre sujeita à erosão desse domínio pelos avanços militares do inimigo (ESFAS, 2026).
Dentro dessa estrutura analítica, o declínio dos Estados Unidos é visto como um episódio em rivalidades seculares, que irromperam com considerável força no contexto atual. Esse declínio é visto como resultado da simples acumulação de poder por uma superpotência, o que provoca uma resposta de equilíbrio por parte de seus rivais.
No século XXI, essa reação contra a hegemonia dos EUA é vista como uma correção inevitável à arrogância demonstrada pelos proponentes do “novo século americano”, que desestabilizaram o equilíbrio global (Waltz, 2000). Essa perspectiva leva à busca de políticas para adaptar a potência dominante ao novo contexto global.
Trump tentou seguir esse caminho com sua estratégia inicial de contenção militar, buscando reposicionar os Estados Unidos economicamente contra a concorrência esmagadora da China. Mas, após um ano de protecionismo fracassado, ele retornou à abordagem militar, um caminho familiar para todas as administrações americanas lidarem com seus fracassos. O magnata se viu atolado em sua busca por uma alternativa ao aventureirismo militar porque enfrenta o mesmo dilema insolúvel que todas as administrações confrontadas com o declínio dos Estados Unidos.
Os teóricos realistas não reconhecem as deficiências dessa experiência recente em seu próprio repertório e, em vez disso, oferecem propostas corretivas sem apresentar soluções para os dilemas criados pelo declínio da potência dominante. Eles reafirmam certas verdades óbvias — como a impossibilidade de perpetuar o domínio de uma potência hegemônica — enquanto omitem os fatores históricos que levaram a essa incapacidade.
Na prática, eles participam das mesmas flutuações políticas que pensadores de outras correntes dentro da elite dominante. O realismo fornece argumentos para justificar a política externa de apoiadores de Trump, de opositores de Trump, soberanistas, isolacionistas ou neoconservadores.
Em algumas circunstâncias, apoiam o americanismo e, em outras, o globalismo, porque a própria concepção realista prioriza apenas uma avaliação precisa das relações de poder internacionais e o consequente comportamento de seus principais atores. Falta-lhe um diagnóstico do significado histórico da regressão que os Estados Unidos enfrentam.
SOBRE A EXPANSÃO MILITAR
Alguns defensores do liberalismo crítico ofereceram diagnósticos para o declínio dos Estados Unidos, focando na expansão excessiva de seu poderio militar. Essa é uma perspectiva antiga que tem sido periodicamente renovada e, em contraste com suas contrapartes convencionais, reconhece a regressão e a atribui a um fator militar.
Um defensor clássico dessa visão acredita que o gigante norte-americano está repetindo uma síndrome que afetou todos os seus predecessores históricos, centrada na ruptura do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e poder militar. Ele considera que essa segunda esfera se expandiu além de sua capacidade, em crescente conflito com a base produtiva que a sustenta (Kennedy, 1989: 539-577).
Sua abordagem critica as prolongadas campanhas militares dos Estados Unidos, apontando que, após alcançar a dominância global por meio de vantagens econômicas, o gigante norte-americano ficou preso às adversidades militares. Ele ilustra como esse declínio foi tolerado por todos os ocupantes da Casa Branca.
Ele também enfatiza o impacto negativo da beligerância em todas as áreas da economia e lembra que o mesmo tipo de déficit fiscal e endividamento afetou o domínio espanhol, o Império Otomano e destruiu tanto os Habsburgos no século XVII quanto a Grã-Bretanha no século XIX.
A explicação para o declínio americano como sendo devido à sua excessiva expansão militar tornou-se particularmente proeminente na década de 1980, quando Reagan inaugurou o neoliberalismo e estabeleceu um modelo de ofensiva do capital contra o trabalho, a fim de restaurar os lucros das classes dominantes. Ele buscava, por meio dessa abordagem, reanimar a economia americana debilitada diante das exportações japonesas altamente competitivas e visava restabelecer a primazia militar americana ameaçando a União Soviética.
O rearme do Pentágono através do programa "Guerra nas Estrelas" foi, naqueles anos, um exemplo típico do uso do poder militar como meio de compensar o declínio econômico. Forneceu evidências claras dos efeitos negativos dessa expansão militar.
Mas essa adversidade foi mascarada pela implosão inesperada da URSS e a consequente extinção do chamado bloco socialista. Esse evento também reduziu o impacto conceitual da superexpansão imperial americana, que havia sido amplamente aceita na década de 1980, mas foi relegada a círculos minoritários na década seguinte. O colapso da URSS recriou a imagem do poder americano duradouro, primeiro com o ressurgimento episódico do Reaganismo e depois com a miragem unipolar (Kennedy, 2003).
Esse período de transição — comparável ao breve renascimento britânico do início do século XX ( Belle Époque ) — foi visto como o início de "um século americano". Deu origem a interpretações equivocadas que ignoraram a dinâmica prolongada de declínios causados pela má gestão militar. Esses retrocessos de longo prazo podem ser interrompidos por ressurgimentos efêmeros, que não alteram o recuo estrutural do poder. Essa regressão subjacente ressurgiu com toda a força posteriormente, durante o governo Bush, e é plenamente evidente hoje.
A Guerra do Iraque, a ocupação do Afeganistão, a incursão na Líbia, a devastação da Síria e o conflito na Ucrânia ilustraram como a expansão militar excessiva caracteriza períodos de declínio. Esse declínio não se deve unicamente às políticas externas específicas de um governo ou outro, mas sim aos efeitos nocivos de operações imperialistas desenfreadas.
Em todos os casos, o ataque começa com grande pompa, cânticos de vitória e expectativas de negócios prósperos, mas os invasores logo se veem presos no mesmo atoleiro que prenunciou o Vietnã. Os sucessos da era de ascensão do império jamais se repetem, e a guerra se torna um fardo insustentável para seu instigador.
Esse efeito é um fato incontestável das últimas décadas. É evidente que os Estados Unidos expandiram excessivamente sua capacidade de ação, com ou sem tropas próprias. No caso mais recente do Irã, ignoraram essa presença e sofreram a mesma derrota, desperdiçando enormes recursos em ações com resultados adversos.
O diagnóstico de sobrecarga imperial foi formulado por outros autores, que enfatizam seu efeito prejudicial sobre a estabilidade da principal potência mundial. A evidência mais palpável é o declínio da competitividade, à medida que os contratados do Pentágono aumentam seus lucros em detrimento do restante da economia (Ortiz García, 2023).
Esse efeito negativo do militarismo não é um princípio invariável de qualquer época ou situação, nem é uma desgraça para todos os governantes. Depende da época em que cada império se encontra. A beligerância sustentou a economia americana na primeira metade do século XX e, posteriormente, tornou-se sua grande desgraça. É a predominância de períodos de prosperidade ou recessão que determina esse resultado tão discrepante.
Na primeira fase, as novas tecnologias desenvolvidas na esfera militar são reaproveitadas como inovações lucrativas no setor civil. Por outro lado, na fase oposta, essa transformação é bloqueada. O mesmo ocorre na indústria. Os incentivos militares para novos processos de fabricação em um determinado estágio tornam-se seu oposto obstrutivo em momentos inversos. Basta observar a desindustrialização e a baixa produtividade industrial nos Estados Unidos para perceber em qual estágio dessa sequência o país se encontra. O contraste com a China confirma esse quadro.
Os autores que atribuem o declínio dos Estados Unidos à expansão excessiva do poderio militar geralmente propõem a redução dos gastos militares como remédio para o mal que mina o país. Eles defendem um recuo imperial para corrigir esse problema, espelhando o caminho trilhado pela Grã-Bretanha.
Mas essa linha de ação teria enormes implicações para uma ordem mundial forjada em torno da supremacia americana. Analisar esses efeitos exige situar a teoria da expansão militar excessiva dentro da estrutura conceitual de duas noções — capitalismo e imperialismo — que o marxismo privilegia e o liberalismo crítico relativiza ou ignora.
DECLÍNIO RELATIVO?
As análises do declínio frequentemente se baseiam em descrições, avaliações do debate e registros de opiniões, evitando definir os méritos de uma posição em detrimento de outra. Por exemplo, destacam os papéis variáveis dos argumentos pró-declínio e anti-declínio como justificativas usadas pelas elites para perseguir diferentes tipos de políticas externas (Slaughter, 2026).
Em outros casos, o texto retrata como uma abordagem ganhou mais relevância do que a sua oposta nos diversos cenários da história americana contemporânea. Essas revisões lembram que, até a década de 1960, prevalecia um otimismo sem menção ao declínio, enquanto na década seguinte essa observação tornou-se dominante, em consonância com os eventos no Vietnã, a crise do petróleo e o avanço dos processos socialistas (Reguera, 2021).
As teses anti-declínio prevaleceram mais uma vez durante os anos de unipolaridade e confiança no ressurgimento do "século americano", mas perderam relevância novamente nas últimas duas décadas de declínio econômico e fracassos militares.
As perspectivas descritivas frequentemente fornecem uma base para abordagens que buscam se posicionar em um ponto intermediário de relativização do declínio. Elas não negam o retrocesso, mas moderam seu alcance, limitam sua relevância ou destacam a existência de um declínio contrabalançado por sequências cíclicas.
Essas abordagens intermediárias revisam os debates entre os proponentes de cada posição, confirmando o reaparecimento persistente da controvérsia. Consideram que essa questão surge, se dissolve e ressurge periodicamente, nunca sendo resolvida (D'Eramo, 2022). Acreditam que essa oscilação conceitual reflete a dinâmica de um processo de regressões contrabalançadas. O que os Estados Unidos normalmente perdem economicamente, recuperam nas esferas militar, tecnológica ou financeira, introduzindo limites que lhes permitam alcançar um ressurgimento periódico.
Mas essa perspectiva nos impede de reconhecer as tendências subjacentes que determinam a trajetória geral do país. Ela leva em conta a existência de forças opostas, partindo do pressuposto de que elas não determinam os resultados. Com essa abordagem, os autores não conseguem explicar o problema. A forma agressiva, descontrolada e autodestrutiva que o belicismo dos EUA assume é dissociada do declínio, e essa dissociação obstrui nossa compreensão da lógica por trás do militarismo desenfreado.
As teorias da regressão relativa ganharam considerável força durante a era unipolar, em oposição à teoria do declínio contínuo dos Estados Unidos. Elas contestavam os exageros desta última abordagem, questionando seu desrespeito à recuperação alcançada pela principal potência mundial. Defendiam que o problema como um todo fosse estudado como uma contradição, e não como um curso inexorável da história.
Mas esse declínio não é uma petição de princípio, que organiza a análise dos Estados Unidos pressupondo um destino predeterminado para essa potência. Constitui um registro de tendências reais, que reproduzem comportamentos análogos de impérios precedentes. Dessa perspectiva, podemos explicar por que o epicentro do capitalismo global sustenta esse sistema, com um vandalismo militar proporcional à decadência dessa ordem social. O declínio dos Estados Unidos expressa a perda de poder da potência líder, em um sistema afetado por sua própria regressão.
A gravidade da crise americana — devido à natureza capitalista da estrutura que busca sustentar — ilustra plenamente o cenário atual. Os Estados Unidos tentam contrabalançar seus próprios desequilíbrios e os desequilíbrios sistêmicos com intervenções externas. A dinâmica do capitalismo e do imperialismo se entrelaça em suas ações, por meio de uma grande confluência de desequilíbrios.
CONTRAPESES SEM TENDÊNCIAS
Alguns autores definem declínio absoluto como uma situação que impede definitivamente a potência afetada de reverter sua regressão. Eles acreditam que os Estados Unidos não se encontram nesse estágio, mas que podem recuperar o poder com políticas adequadas.
Eles abordam essa avaliação por meio de uma análise empírica do declínio americano, comparado ao enfrentado por outras dezesseis potências de 1870 até o presente. Investigam o declínio do produto interno bruto e também a solvência geopolítica e militar dos envolvidos. A partir dessa comparação, deduzem a presença de um declínio americano limitado e reversível (MacDonald; Parent: 43-68).
Mas tal avaliação parece inadequada, porque a posição dominante alcançada pelos Estados Unidos é diferente da de qualquer outro concorrente. O gigante norte-americano atingiu um grau supremo de primazia, cuja trajetória deve ser contrastada com a de outras potências que alcançaram essa posição, como Roma, Espanha, os otomanos ou a Grã-Bretanha.
A ênfase no escopo limitado do atual declínio dos EUA sugere que o país enfrentará desvantagens em relação à China na próxima década, mas com efeitos administráveis. Poderia superar esse impacto e, posteriormente, traçar um novo rumo. Não enfrentaria uma queda categórica, nem obteria um sucesso estrondoso contra seu concorrente.
Mas esse otimismo cauteloso é apenas uma profissão de fé, que ignora os fatores determinantes da luta em curso. Os Estados Unidos estão em declínio porque concentram os desequilíbrios capitalistas, algo que a China administra com um Estado regulador independente das classes dominantes. Seu oponente não possui essa característica e opera com uma administração subserviente aos bilionários do mundo digital. Essa diferença não pode ser sanada por nenhuma mudança nas políticas oficiais.
Além disso, a China evita o uso da força contra um concorrente que tenta recuperar a primazia por meio de beligerância desenfreada. Desse contraste, pode-se deduzir uma ampla gama de previsões, mas omitindo esses fatores determinantes, é impossível fazer qualquer previsão consistente (Katz, 2026).
Outro argumento comum para sustentar a natureza limitada do declínio americano é a contínua preeminência de certos pilares dessa preeminência. Argumenta-se que o dólar persiste como moeda mundial, Wall Street como epicentro do sistema financeiro, gigantes digitais como líderes em alta tecnologia e o Pentágono como principal potência militar global (D'Eramo, 2022).
Esses quatro fatores indicam, de fato, que o termo "primeira potência" ainda reflete com precisão a posição dos Estados Unidos no cenário mundial. No entanto, o debate não se concentra nesse reconhecimento, mas sim nas tendências evidentes de erosão estrutural dessa preeminência.
A desdolarização continua seu curso lento, porém persistente, e está corroendo a capacidade de Washington de imprimir dinheiro sem controle e onerar o público com dívidas. Wall Street abriga uma nova bolha financeira, alimentada pela capitalização desenfreada de megaempresas digitais.
Essas empresas são, de fato, líderes em Inteligência Artificial, mas enfrentam o aumento da produtividade de suas rivais chinesas, que fabricam os mesmos produtos com maior eficiência e a custos mais baixos. Por fim, o próprio Pentágono precisa lidar com guerras que está perdendo, utilizando seu arsenal obsoleto em operações fracassadas. O declínio dos Estados Unidos é um processo estrutural intimamente ligado à dinâmica do capitalismo e do imperialismo. Ignorando esses dois fatores, as explicações permanecem superficiais.
Falta de substitutos?
Um argumento convincente para propor limites ou restrições ao declínio dos Estados Unidos é a ausência de um sucessor para exercer domínio global. Essa falta de um substituto para a liderança global é citada como uma restrição que perpetuaria, ou pelo menos recriaria, a supremacia americana.
A potência dominante pode declinar, mas ninguém seria capaz de substituí-la, e essa ausência de um substituto amorteceria o declínio, o retardaria ou permitiria que os Estados Unidos gerenciassem sua própria retirada (Mann, 2008).
Mas esse contrapeso não anula o declínio; pelo contrário, descreve os limites e obstáculos dessa regressão. A ausência de um substituto não cancela nem reverte a tendência de queda, e esse revés é a principal conclusão do diagnóstico.
A ausência de um sucessor também pode coexistir com um cenário de diversas potências emergentes substituindo a hegemonia anterior. Essa possibilidade fundamenta a previsão aberta apresentada por alguns teóricos (como Arrighi e Galtung), que preveem cenários de um equilíbrio de poder não resolvido entre várias nações. Essa opção é inclusive antecipada pela própria tese de uma interrupção do declínio devido à falta de sucessores.
A perspectiva de declínio da China sem substituto é alimentada pela natureza singular de seu principal adversário, que, na prática, não age como uma potência imperial. A política externa cautelosa da China, sua aversão ao uso da força e seu foco exclusivo nos negócios criam um contexto atípico.
Essa peculiaridade da China também coexiste com um quadro de multipolaridade e poder disperso, que se distancia da imagem clássica de aspirantes belicosos ao trono hegemônico. Os BRICS, por exemplo, não se comportam como a entente formada por Alemanha, Itália e Japão no período entre guerras.
O diagnóstico de um declínio dos Estados Unidos evitado pela ausência de substitutos pressupõe que o futuro repetirá o passado e que a existência de uma potência hegemônica é indispensável para sustentar o sistema mundial.
Esse cenário lembra o que aconteceu com a Grã-Bretanha — que conseguiu declinar ao transferir sua hegemonia para seu parceiro transatlântico — e destaca o fato de que seu sucessor não produziu um sucessor de igual estatura. Por essa razão, a ausência dos Estados Unidos como potência substituta é considerada um beco sem saída para a continuidade do sistema global. No entanto, a ascensão da China e dos BRICS deu origem a um cenário diferente.
A tese de um declínio americano — apenas relativo devido à ausência de um substituto — poderia, em todo caso, ser concebida para o período de crise (1990-2008) do sistema imperial, mas não mais para o momento atual. Naqueles anos, o colosso do Norte manteve a posição de guardião do capitalismo, que todas as potências ocidentais lhe haviam delegado anteriormente.
O guardião cumpriu esse papel reprimindo levantes populares na África, Ásia e América Latina. Mas esse papel mudou substancialmente no final do século XX, primeiro com o declínio das revoluções e a implosão do bloco socialista, e depois com a ascensão da China, a multipolaridade e as fraturas dentro da própria aliança ocidental.
Nossa própria análise do sistema imperial destacou a força gravitacional dos Estados Unidos, tanto no auge quanto durante a crise dessa configuração. Enfatizamos o papel contrarrevolucionário primordial do administrador da OTAN e sua função como fiscalizador do capitalismo, observando como esse papel interagiu com a longa crise econômica que afetou a principal potência mundial. Nossas observações dessa relação ressaltaram a existência de uma recomposição periódica do poder americano, que não conseguiu remediar a fragilidade de seus bancos e o declínio de sua indústria (Katz, 2023: 41-42).
Mas esses diagnósticos — que destacavam a presença de uma contradição não resolvida — correspondiam a uma época passada, não ao contexto atual. Essa diferença tem implicações enormes que analisaremos nos textos seguintes.
REFERÊNCIAS
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Claudio Katz: Economista, pesquisador do CONICET, professor da Universidade de Buenos Aires. Seu site é: www.lahaine.org/katz
Link para a primeira parte do artigo: https://rebelion.org/el-declive-de-estados-unidos-parte-i/
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