O imperativo da mobilização dos trabalhadores para impulsionar os arranjos produtivos

Congresso NacionalCRÉDITO: EBC

O fato é que os trabalhadores e o povo marginalizado não tem representação efetiva no Congresso

O Brasil tem as principais fontes energéticas limpas, como a tradicional hidroeletricidade, e as novíssimas derivadas do sol e do vento. Com um passo adicional no desenvolvimento científico e tecnológico, acabará dominando também o mercado verde da energia derivada de plantas. Entretanto, por força do lobby de praticamente uma única família, os Batista da JBS, oligarquias que ganham bilhões de reais com a exploração de energia a gás e carvão, está abrindo mão de um mercado estratégico e transferindo ao consumidor custos extravagantes de energia.

Isso acontece por uma única razão. O projeto de lei que tratava da concessão de subsídios a diferentes setores sociais, aprovado na Câmara, recebeu inúmeros penduricalhos no Senado. Neste antro da corrupção, sem resistência do povo, os assaltantes dos cofres públicos que dominam a política brasileira impuseram uma derrota histórica aos poucos progressistas que tentaram resistir à violência contra a sociedade. Esta não teve como proteger a chave do tesouro público!

O fato é que os trabalhadores e o povo marginalizado não tem representação efetiva no Congresso. Este é dominado por oligarquias tradicionais que despejam imenso volume de dinheiro para comprar deputados e senadores e colocá-los a serviço de seus interesses. Veja o caso de Daniel Vorcaro. Manipulando uma pirâmide financeira, totalmente ilegal, comprou boa parte da elite política de Brasília e de outras partes do País, incluindo o chefe da Casa Civil de Bolsonaro, Cid Nogueira.

A razão da recorrente derrota dos progressistas no Parlamento é, portanto, muito simples. O Congresso fechou suas portas a representantes do povo que defendem uma política mais decente para o País. Aquilo que, em outros tempos, se configurava como litígios secundários, passou a se caracterizar como conluios fraudulentos entre políticos, ladrões, traficantes e crime organizado – e até o crime desorganizado, como pode ser classificado o crime cometido pelo adolescente quando toma um celular de uma idosa na rua.

Esse quadro impõe uma preparação estratégica das forças progressistas para as eleições. É fundamental que elas obtenham maioria eleitoral para não deixarem que as classes dominantes continuem a esmagar os trabalhadores mediante o controle do Congresso. É que, sob o domínio delas, as políticas públicas, em lugar de proteger os mais vulneráveis, retiram os direitos deles. Isso só se reverte com mobilização. As Centrais Sindicais, que são a vanguarda da classe trabalhadora, devem deixar seus gabinetes para tomar uma posição de luta nas ruas, inclusive contra a corrupção.

O processo de degeneração da sociedade brasileira, de cima para baixo, pode ser visualizado como uma cascata observada de baixo para cima. A água cai com grande velocidade, como é o caso do crime, passando de um patamar superior para um patamar mais baixo. Isso reproduz perfeitamente o comportamento social, inclusive quando trabalhadores que querem proteger seus filhos de uma situação de risco buscam a cooperação com outros trabalhadores, no que estamos chamando de Arranjos Produtivos.

O Arranjo Produtivo é, na essência, um programa que estou sugerindo às Centrais Sindicais e que pretendo estimular através de um esquema de captação de recursos, mediante articulação com a revista Mutirão Solar e Aliança Social Trabalhista, para a constituição de um fundo de financiamento de atividades sindicais e políticas mediante a compra da revista por dez reais pelos próprios trabalhadores, estimulados pelos dirigentes sindicais, como tributo à defesa da democracia e ao enfrentamento da direita e da extrema direita.

Noventa e cinco por cento da receita líquida desse fundo, porém, retornariam aos próprios trabalhadores, através das Centrais e da Aliança Social Trabalhista, com o objetivo de financiarem suas atividades sindicais e políticas. A revista reteria apenas 5% da sua receita líquida para cobrir seus próprios custos. Gostaria que as demais Centrais Sindicais, além da CUT, se manifestassem sobre esse programa, que poderá impulsionar a organização dos Arranjos Produtivos e ajudar os partidos de inspiração histórica trabalhista ou socialista no processo eleitoral.

Entretanto, o mais importante é que as Centrais Sindicais se reúnam no sentido de articularem um movimento para pressionar o Senado, a fim de inverter a posição clássica dele a favor das oligarquias, para a organização em larga escala dos Arranjos Produtivos Locais, Territoriais (rurais) e Vocacionais (urbanos). Neste ultimo caso, reuniriam profissionais entrantes no Mundo do Trabalho (p.ex. médicos e pessoal da área de saúde; profissionais na área de estética; profissionais independentes na área de construção etc). Isso seria a base para o enfrentamento do crescente desemprego no País provocado pelo avanço acelerado da tecnologia, de forma a abrir as perspectivas de uma Nova Era para os trabalhadores e o povo em geral no Brasil e no mundo.

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