A conspiração de Trump contra o Papa Francisco

Papa Francisco (à direita) com o presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), em foto de arquivo. Foto AP.

A desclassificação de documentos do Departamento de Justiça dos EUA, os chamados Arquivos Epstein, publicada em fevereiro de 2016, revela uma relação conspiratória entre o ex-conselheiro de extrema-direita da Casa Branca, Steve Bannon, e o falecido financista pedófilo Jeffrey Epstein. O objetivo dessa conivência era "derrubar e enfraquecer" o Papa Francisco.

E-mails e mensagens trocadas entre 2018 e 2019 revelam uma conspiração internacional com o objetivo de atacar o Papa Francisco. O motivo é simples: Francisco defendia posições progressistas em relação à pastoral social, ecologia e, sobretudo, uma postura muito firme em defesa dos migrantes.

Bannon e Epstein eram amigos de Donald Trump. É difícil imaginar que Trump desconhecesse a conspiração. Os documentos mostram que Bannon solicitou apoio financeiro de Epstein para fortalecer sua rede de movimentos populistas cristãos de extrema-direita na Europa.

O primeiro desentendimento ocorreu em fevereiro de 2016, no avião a caminho de Roma, após sua visita ao México. Um jornalista perguntou ao Papa sobre as propostas de imigração do então candidato Trump, que incluíam a construção de um muro na fronteira sul com o México. O pontífice respondeu: “Uma pessoa que pensa apenas em construir muros, onde quer que sejam, e não em construir pontes, não é cristã”. O então candidato à presidência reagiu duramente e minimizou a crítica do Papa Francisco. 

Ele descreveu como "vergonhoso" que um líder religioso questionasse a fé de uma pessoa.

Steve Bannon, então coordenador da campanha de Trump, chamou o Papa argentino de inimigo ideológico. 

Bannon, de 72 anos, é um estrategista político e executivo de mídia. Ele é considerado o arquiteto intelectual que moldou a ideologia supremacista branca de Donald Trump. Ele é o líder do movimento MAGA (Make America Great Again). 

Ele foi o arquiteto da campanha eleitoral de Donald Trump em 2016. Steve Bannon tem uma abordagem que exalta o nacionalismo econômico, o populismo de direita, o ultraconservadorismo religioso e a desconstrução do Estado administrativo.

Bannon nasceu em uma família católica da classe trabalhadora na Virgínia. Ele serviu como oficial na Marinha, trabalhou como banqueiro de investimentos no Goldman Sachs e foi produtor em Hollywood. Antes de se juntar à campanha de Trump, ele dirigia o site de notícias Breitbart, que promovia a extrema-direita.

Bannon foi preso por quatro meses em 2024 por desacato ao Congresso, após se recusar a depor sobre a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Sua lealdade ao presidente Trump é absoluta. Este mês, o Departamento de Justiça, sob a segunda administração de Trump, pediu à Suprema Corte que anulasse essa condenação.

Utilizando as embaixadas americanas na Europa, ele desenvolveu uma rede de movimentos ultraconservadores anti-Papa Francisco. 

Ele lançou uma ofensiva para construir uma rede de movimentos populistas e de extrema-direita na Europa, com um forte componente religioso e tradicionalista, sob a égide de sua organização, O Movimento, fundada em 2017 e sediada em Bruxelas. A rede buscava não apenas influenciar a política, mas também combater o chamado ambientalismo, o globalismo e as posições pró-imigração, defendendo uma visão teocêntrica que se opunha à abordagem pastoral do Papa Francisco.

Seu objetivo era unir partidos nacionalistas contra a União Europeia, defendendo uma identidade baseada nas raízes "judaico-cristãs" do Ocidente. Ele tinha aliados politicamente influentes, como Viktor Orbán na Hungria e Matteo Salvini na Itália. No entanto, a influência americana e a tentativa de replicar o modelo Trump na Europa não alcançaram o sucesso desejado. Bannon financiou diversas organizações católicas que assediaram o Papa Francisco pelas redes sociais.

Seja por meio de notícias falsas ou atos de sabotagem que tentaram prejudicar a imagem do Papa de Roma.

Retomando os arquivos, os e-mails e mensagens trocados entre Epstein e Bannon, este último solicitou recursos para financiar a extrema-direita cristã na Europa e para reforçar a chamada "academia de gladiadores" que havia estabelecido no imponente mosteiro Certosa di Trisulti, atualmente propriedade dos cistercienses, no centro da Itália. Outra iniciativa conjunta de Bannon e Epstein foi a produção de um filme baseado no livro do jornalista francês Frédéric Martel, *Sodoma: Poder e Escândalo no Vaticano*, que aborda a homossexualidade generalizada entre os membros da Cúria Vaticano herdada por Francisco. Segundo o autor, aproximadamente 80% dos altos funcionários eram homossexuais.

Steve Bannon deve ser responsabilizado por seus atos de conspiração e sabotagem. O caso poderia envolver o atual presidente dos EUA? 

Por fim, devemos questionar e abordar possíveis conspirações da extrema-direita religiosa contra o atual Papa Leão XIV? Figuras ligadas a Bannon/Trump, como o Cardeal Raymond Leo Burke, Carlo Maria Viganò, ex-núncio, e Gerard Muller, entre outros, representam uma ameaça.


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