
Cuba condena e denuncia a nova escalada do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos (Foto: Granma)
Que os governos não permitam o assassinato da verdade ou se tornem marionetes de Trump
Por Wilkie Delgado Correa (*)
Cuba deixa claro com as palavras de Martí que "os cubanos não pedem nada do mundo, além do conhecimento e do respeito aos seus sacrifícios, e dão ao universo o seu sangue".
O presidente, ou seja, o imperador dos Estados Unidos e aspirante a ser imperador do resto do mundo, ensaiou diferentes ameaças e atos genocidas de guerra contra outros países, mas, até agora, ninguém parece esperar tantos fatos que restrinjam a soberania dos povos quanto as ameaças com tarifas. Agora, com essa medida de força, ele pretende que os demais governos e países sejam os que bloquearão e sufocarão Cuba e se tornarão aliados do império por medo.
Ele não mencionou países na ordem executiva supostamente apenas para Cuba e o fornecimento de petróleo, embora, na realidade, Trump tenha incluído todos os países não nomeados do mundo, tirando-lhes de uma só vez o direito soberano e inalienável, segundo o direito internacional, de comercializar ou doar um produto específico: petróleo. Mas, se esse artigo não fosse suficiente, poderia incluir outros, segundo seus caprichos ou os de seus conselheiros intrigantes, como Marco Rubio e a companhia mafiosa.
Leia-se bem o ‘ucasse’ trumpista (Ukase, aportuguesado como ucasse ou úcase, refere-se originalmente a um decreto ou edito imperial emitido pelo czar na antiga Rússia, possuindo força de lei absoluta. Por extensão, o termo é utilizado figurativamente para descrever qualquer decisão autoritária, impositiva ou arbitrária, tomada sem consulta ou negociação) e verá que ele não estabelece a proibição de Cuba comprar ou aceitar a doação de petróleo para seus legítimos fins de sobrevivência. A proibição é sobre ameaças tarifárias para terceiros que sejam nomeados ou não mencionados, mas que Trump definirá. Embora possa ser qualquer país e membro das Nações Unidas, e as medidas possam chegar ao bombardeio aéreo e marítimo, mesmo que ele não o declare.
Nenhuma das razões mentirosas que apresentaram contra Cuba é nova, e essas e muitas outras foram incluídas em leis, resoluções e declarações. Chegaram até a sancionar pessoas, empresas, bancos e ameaçaram navios que se destinem a Cuba. Embora estes últimos pareçam ter sido mais corajosos e resistentes do que alguns governos e tenham se mantido firmes, desafiando e burlando as proibições ianques.
Essa perseguição por parte dos Estados Unidos já era antiga. E somente a dignidade dos países tornou possível preservar seus próprios direitos e os dos outros. Assim, quando os Estados Unidos decidiram que todos os governos da OEA deveriam romper todas as relações com Cuba, apenas o México e seus diversos governantes permaneceram firmes e salvaram a dignidade do México ao manter relações normais de todos os tipos com Cuba. Até que tudo isso desmoronou e, inclusive, chegaram a convidar Cuba a reincorporar-se ao Ministério das Colônias Ianque.
Apesar dessa postura isolacionista e de bloqueio contra Cuba por parte dos Estados Unidos, os países do Caribe, apesar de sua pequenez e dos recursos limitados, mostraram sinais do exercício soberano da dignidade, estabeleceram relações e colaborações com Cuba, sendo capazes de resistir e desafiar as pressões ianques e manter amizades indestrutíveis.
E quem não recebeu de Cuba toda a solidariedade que ela conseguiu dar, até generosa, dado seus recursos limitados devido ao assédio e às sanções diplomáticas, econômicas, comerciais, etc., etc.? Quantas ameaças de sanções e sanções reais Cuba teve que sofrer por ser solidária com países de várias tendências políticas, sem nunca hesitar ou se arrepender de estar em solidariedade e defender o direito de sê-lo? Quantas vidas e sangue de cubanos foram imolados e derramados em nome da solidariedade e da defesa dos povos irmãos? Quanto suor e sacrifícios dos cubanos em funções solidárias em todo lugar? Quantos perigos essa solidariedade acarretou?
Todos os anos, o que o bloqueio imposto a Cuba pelos Estados Unidos significa monetariamente é divulgado durante a discussão sobre o assunto na Assembleia Geral da ONU.
Quanto significa a ajuda solidária de Cuba em todos os campos (em ajuda material, em vidas sacrificadas, na saúde por uma vida melhor, na educação, em vacinas e tratamentos médicos, em várias consultorias, na formação de recursos humanos, etc.), nas quais essa colaboração se manifestou, não está na mentalidade cubana que sempre mostrou que "solidariedade não é dar o que sobrou, mas compartilhar o pouco que tem"; que, como também foi expresso: "Cuba não dá o que lhe sobra, ela dá o que outros precisam".
Em resumo, tudo o que poderia ser dito foi dito em palavras belas e generosas pelos representantes dos governos na ONU e, ao mesmo tempo, condenaram os Estados Unidos por seus abusos e violações do direito internacional.
Agora, trata-se de demonstrar com fatos ao aspirante a Deus, pai mundial, que ele não o é. E que, portanto, se os governantes não quiserem sucumbir à sua dignidade e soberania destruídas, suas ameaças maníacas devem ser detidas. Existem ou haverá armas e ações em legítima defesa. Deveria ser vergonhoso ter que suportar o descaramento de uma potência estrangeira arbitrária e louca, exercida por uma pessoa condenada judicialmente por crimes e com sentença final; que levou ao ataque ao Congresso dos EUA; que pretendia um golpe de Estado eleitoral; e que, certamente, faz parte dos atos imorais refletidos nos famosos "papéis" de Epstein ainda não completamente revelados.
E hoje, como sempre, essas ideias de Jean-Jacques Rousseau em O Contrato Social devem ser uma convicção de todos os países: ou seja, princípios do direito político (1762): "O mais forte nunca é forte o suficiente para sempre dominar... Força não constitui direito, e há apenas a obrigação de obedecer a poderes legítimos".
Por fim, Cuba tem passado por uma longa história de agressões e ofensas contra seus desejos e sua condição como nação soberana, livre e independente por parte dos Estados Unidos.
Acredita que o terror pode ser inspirado pelo exercício da força, mas nunca simpatia. Você pode ser o mais forte, mas não o mais amado e respeitado.
Podem impor poder, mas não ter autoridade moral diante dos outros.
Podem mentir, mas não podem enganar todo mundo indefinidamente. Um povo pode ser martirizado, mas não pode ser impedido de lutar com todas as suas forças pelo direito à liberdade e à vida.
O mundo deve saber que o sonho dos Estados Unidos contra Cuba se tornou um pesadelo porque a revolução liderada por Fidel a libertou definitivamente e, por causa desse ressentimento ancestral, os governantes ianques, não o povo estadunidense, a ofendem e atacam.
No mundo de hoje e de amanhã, deve-se esperar que prevaleçam os melhores sentimentos, as melhores ações e os melhores desejos da humanidade. Nesse mundo, sob o império da paz e da amizade, livre do medo e da miséria, esperamos que Cuba possa realizar plenamente os sonhos que lhe dão alento hoje. Até que essa hora chegue, Cuba deve continuar a vasculhar o horizonte, continuar armada com sua verdade, continuar a elevar sua dignidade e rebelião e continuar a forjar sua vitória.
E hoje, como ontem, deixa claro com as palavras de Martí que "os cubanos não pedem nada do mundo, além do conhecimento e do respeito aos seus sacrifícios, e dão ao universo seu sangue (...) E perguntamos ao mundo, certos da resposta, se o sacrifício de um povo generoso, que se imola por se abrir a ele, encontrará indiferente ou ímpia a humanidade por quem se faz?".
E também, como afirmou o Major-General Máximo Gómez, o povo cubano pode afirmar sobre nossas lutas: "Nunca nossas virtudes foram submetidas a provas tão rigorosas, quando conseguimos manter a honra e o decoro humanos tão altos, como nestes momentos em que nos encontramos...; lutamos, não apenas por nós mesmos e por Cuba, mas pela civilização, pelo mundo inteiro...".
(*) Doutor em Ciências Médicas. Doutor Honoris Causa. Professor, consultor e emérito na Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba. Prêmio de Mérito Científico pelo trabalho de uma vida.16/2/26.Tradução: Rose Lima.
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