Eu recomendo: 6 Não à guerra, não à OTAN na América Latina

Fontes: Rebelião

 Por Pablo Ruiz E. 

Da América do Sul, observamos com grande preocupação as políticas, manobras e exercícios militares realizados pelos países membros da OTAN em todo o mundo, que poderiam desencadear uma terceira guerra mundial com consequências devastadoras para todos os países, incluindo a América Latina, visto que uma terceira guerra mundial contra a Rússia ou a China poderia eventualmente envolver armas nucleares.

Segundo o Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (CELAG):

  • Colômbia: É parceira global da OTAN desde 2018, o que implica estreita cooperação em segurança, embora não seja membro pleno.
  • Peru: Designado pelos EUA em 2026 como um importante aliado não pertencente à OTAN, facilitando a cooperação em defesa e tecnologia. Possui também a certificação OTAN Tier 2.
  • Argentina: Mantém o status de importante aliado não pertencente à OTAN desde 1998, fortalecendo seus laços.
  • Chile: Integrado ao Sistema de Catalogação da OTAN (SOC) desde 2004, avançando na modernização logística com software da aliança.
  • Brasil: Usuário do sistema de catalogação da OTAN e reconhecido importante aliado da OTAN.

Todos esses países — Brasil, Colômbia, Chile, Peru e Argentina — têm os maiores gastos militares da América Latina. É claro que nosso continente também abriga o aliado mais importante da OTAN, os Estados Unidos, e o Canadá, que também apresenta alguns dos maiores gastos militares.

No caso do Chile, queremos denunciar que, em 2025, a ex-ministra da Defesa, Adriana Delpiano, e a embaixadora alemã no Chile, Susanne Fries-Gaier, assinaram um “acordo técnico com a Alemanha que visa facilitar a troca de material militar”, o qual, aliás, permitirá “o acesso à logística do sistema da OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte”.

A assinatura do acordo com a Alemanha faz parte de uma série de requisitos da OTAN para que o Chile avance para o Nível 2, o que permitirá ao país catalogar seus próprios produtos e oferecê-los nesta vitrine internacional.

No ano passado, o jornal online El Mostrador também noticiou uma operação secreta entre o Chile e a Alemanha. A Alemanha solicitava que o Chile transferisse pelo menos 30 veículos de combate de infantaria Marder 1A3. Esses tanques seriam posteriormente enviados para a guerra na Ucrânia, onde, como é de conhecimento público, o governo alemão fornece equipamentos e armamentos para a guerra contra a Rússia.

Como organizações, expressamos ao Ministério da Defesa do Chile nossa rejeição à venda ou transferência desses tanques e solicitamos que o governo mantenha a neutralidade e ponha fim a essa operação. Não concordamos com o envolvimento do Chile em qualquer guerra por parte da Alemanha.

Como podem ver, a Alemanha é muito ativa em assuntos militares, e a isso devemos acrescentar que um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indica que a Alemanha adquiriu secretamente a capacidade de fabricar suas próprias armas nucleares. Embora afirmem não ter essa intenção, não acreditamos no que o governo alemão diz, pois, na prática, eles poderiam fabricar armas nucleares muito rapidamente, o que é coerente com sua retórica belicosa e suas intenções de construir o exército mais poderoso da Europa, bem como com seu apoio à política de dissuasão nuclear da OTAN.

É importante destacar também que o Reino Unido mantém presença nas Ilhas Malvinas, na América Latina, onde realizou diversos exercícios militares nos últimos anos para garantir o controle estratégico do Atlântico. 

O Comitê Especial de Descolonização da ONU (C-24) examina anualmente a "Questão das Ilhas Malvinas" desde 1964, reafirmando que se trata de um caso de colonialismo que exige negociações bilaterais entre a Argentina e o Reino Unido. A Argentina reafirma sua soberania e defende a descolonização, rejeitando o direito das ilhas à autodeterminação.

Da mesma forma, o Página 12 denunciou “uma nova invasão do Reino Unido à soberania argentina e aos seus recursos; o governo local das Ilhas Malvinas autorizou o projeto das empresas petrolíferas Rockhopper, do Reino Unido, e Navitas, de Israel, para extrair 55.000 barris por dia no campo de Sea Lion, localizado a 200 quilômetros de Port Stanley”. 

A OTAN é um instrumento de guerra e uma forma de as grandes empresas de armamento continuarem a lucrar com a morte e a destruição. Ao mesmo tempo, serve como ferramenta para a pilhagem de recursos naturais e para a geopolítica do petróleo.

Repudiamos o ataque à Venezuela e a extorsão perpetrada pelo governo dos Estados Unidos, bem como as sanções impostas unilateralmente contra o povo venezuelano.

Repudiamos o bloqueio unilateral contra Cuba e as constantes ameaças dos Estados Unidos de atacar este país, que Washington considera uma ameaça. Repudiamos o fato de os EUA continuarem a manter o controle ilegal sobre Guantánamo, que não é apenas uma base militar, mas também uma prisão.

Por fim, manifestamos nosso apoio às diversas iniciativas da Rede Internacional Não à Guerra – Não à OTAN, pois é dever de todos defender a paz e o direito à autodeterminação dos povos.

* Este artigo foi preparado e compartilhado no webinar “OTAN: ainda está se expandindo globalmente?”, organizado pelo IPB e pela Rede Internacional Não à Guerra, Não à OTAN. 

Pablo Ruiz é jornalista e graduado pela Academia de Humanismo Cristiano. Coordena o Observatório para o Fechamento da Escola das Américas no Chile (organização afiliada à World BEYOND War e ao International Peace Bureau). É editor da revista El Derecho de Vivir en Paz (O Direito de Viver em Paz) www.derechoalapaz.org Fonte:  https://www.derechoalapaz.com/america-latina-no-a-la-guerra-no-a-la-otan/

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