
Nadia BellerCRÉDITO: CAPTURA DE TELA/VÍDEO
Segundo Nadia Beller, Cerimedo e um membro da família Bolsonaro — que se presume ser o irmão de Flávio, Eduardo — se reuniram com executivos da Meta para tramar interferência nas eleições presidenciais do Brasil
Em 18 de agosto, Fernando Cerimedo foi preso em Santa Cruz, na Bolívia, por contratar assassinos de aluguel para assassinar sua ex-parceira, Nadia Beller, que estava grávida na época, depois que ela ameaçou vir a público denunciar suas operações ilegais de fazendas de bots em larga escala para manipular eleições a favor de candidatos de extrema direita em toda a América Latina. Ainda se recuperando dos múltiplos ferimentos de bala aos quais sobreviveu milagrosamente, ela deu uma entrevista nesta semana ao programa Ventana al Mundo na rede de televisão pública do México, Canal 14. Durante a entrevista, ela explicou como Cerimedo e um membro da família Bolsonaro — que se presume ser o irmão de Flávio, Eduardo — se reuniram com executivos da Meta para tramar interferência nas eleições presidenciais do Brasil. Ela também disse que as maiores fazendas de bots de Cerimedo ainda estão operando, e que seu grupo planeja interferir no governo de Claudia Sheinbaum no México. Você pode assistir à entrevista dela aqui. Abaixo está um trecho transcrito e traduzido de sua entrevista.
“No início de agosto, Fernando me enviou uma foto com um dos Bolsonaros nos Estados Unidos. Não consigo precisar a data exata agora porque, como te disse, meu telefone está com o Ministério Público. Mas entre o dia primeiro e o dia cinco daquele mês, enquanto ele estava nos Estados Unidos, me enviou uma foto e disse que eles estavam discutindo a campanha, que ele iria buscar financiamento e que participaria daquela campanha, daquela eleição, de uma forma ou de outra. E o que eles fizeram com a Meta parece saído de uma cartilha. Eles têm contatos muito bons na Meta. Na verdade, houve um jornalista cuja página eles mesmos haviam derrubado, e o Fernando interveio para que ela fosse restaurada; e ele me disse pelo menos três vezes que tinha relacionamentos muito bons na Meta e conseguia derrubar ou restaurar qualquer página. Não tenho dúvidas de que a equipe dele, o grupo dele, interveio para isso. Eu entendo que há denúncias sobre violações eleitorais por parte da Meta, de que algumas campanhas de guerra suja tiveram passe livre, junto com a suspensão de contas do Lula. Não tenho a menor dúvida de que isso fazia parte de uma estratégia dessa equipe para tirar a visibilidade do Lula.
A fazenda de bots que eles desmantelaram aqui é minúscula, é muito pequena. Desde o primeiro dia em que dei entrevistas, eu disse que havia uma muito maior. Eu disse a eles onde ficava. Eles nunca mexeram nela. Imagino que ainda esteja ativa. Não acho que esteja mais no mesmo local. Ficava no distrito comercial. Eles nunca tocaram nela, e o mesmo vale para a Argentina. Eu sei que eles têm suas próprias fazendas de bots por lá também. Imagino que a prisão de Fernando tenha causado alguma interrupção e que, por um momento, eles tenham ficado inativos, mas agora estão totalmente ativos. Eu mesma sou vítima disso, porque espalha mentiras. O advogado dele vai a público e diz algum absurdo, e isso é imediatamente amplificado pelos bots deles. Então eu mesma sou vítima das fazendas deles, e eles as usam em todo lugar, em todos os países, exatamente com o mesmo modus operandi.
Ele também me disse que iria se envolver na eleição mexicana e que teria seu próprio candidato, porque eles estavam extremamente interessados em tirá-la, a presidente, do cargo. Como eles se envolvem nas eleições? Como você mencionou antes: distorcendo o debate público, por meio de fraude cognitiva, táticas de guerra suja, compra de influenciadores, suas fazendas de bots coordenadas que organizam ataques, que fabricam trending topics (assuntos do momento). Tudo isso, o que faz? Distorce o debate público.”

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