Pergunta embaraçosa
Nonato Menezes
Em 2018, no frisson da campanha eleitoral, perguntei a uma senhora conhecida se ela estava sendo justa, por ser mulher, ao votar para presidente em alguém que, publicamente, disse a uma colega de trabalho que “não a estupraria porque ela era muito feia”. A resposta foi: - “ele disse aquilo fora de contexto”.
Naquele mesmo momento fiz perguntas a vários eleitores adultos, adolescentes e idosos. Perguntas simples, diretas e ancoradas em fatos. As respostas seguiram um padrão que, talvez, para fugirem das responsabilidades de quem ajuda a escolher alguém para lidar com as coisas e os interesses públicos.
Perguntei, por exemplo, o motivo que levaria a votar no membro de uma família que em pouco tempo enriqueceu praticando crimes comprovados, entre eles, contratando funcionários para o gabinete e ficar com até 90% dos salários; as famosas rachadinhas. A resposta foi: “nem só ele, mas a família é de pessoas espertas, por isso enriqueceram". Resposta mais precisa, impossível.
Desisti de fazer perguntas mais elaboras e, por diversas vezes, fui direto ao ponto.
Que motivo tens para votar em alguém que, comprovadamente, é ladrão? A resposta foi: “não tenho escolha; todo político é ladrão! ”.
Tentei outras perguntas, mas as respostas seguiram o mesmo padrão, e sempre apontando para a fuga das responsabilidades ao ajudarem eleger alguém para cuidar das coisas e dos interesses públicos.
Neste ano resolvi não fazer perguntas. Conversei sobre o processo eleitoral, mas evitando citar nomes dos candidatos majoritários para não chegar ao voto.
Também, procurei conversar mais sobre as candidaturas proporcionais, devido suas bizarrices na campanha como, por exemplo, um candidato que se apresentava como ter sido “ministro”. Descobri que ele tinha sido ministro de uma comunidade evangélica. Mas tudo bem, afinal, vivemos num momento em que muitos já incorporaram a mentira aos seus acervos de virtudes.
Por fim, resolvi voltar a perguntar, mas com uma pergunta diferente, na tentativa de fugir das respostas padrão.
Já perguntei a três pessoas e não houve respostas, mas reações idênticas, revelando, até onde percebi, verdadeiro embaraço.
Você vota em fulano de tal porque é bom para você, para o Brasil ou para ambos?
Mudar de assunto foi o caminho seguro, me pareceu.


Não existe pergunta ou argumento que consiga dissuadir essa galera!! Por mais que tentemos compreender o porquê de tal façanha destrutiva, recebemos as mais variadas respostas toscas. Ouvimos argumentos nada a ver!! A verdade é uma só: estamos diante de uma seita!!
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