terça-feira, 25 de março de 2025

Capitalismo e comunismo: uma breve comparação crítica

Fontes: Rebelião

Iván López Espejo
rebelion.org/

1. Introdução

Sempre que a recorrente escassez de tempo e inspiração permite, procuro escrever reflexões que, humildemente, nos ajudem a entender e questionar o mundo em que vivemos, em termos sociais e econômicos. Tais reflexões muitas vezes exalam um tom negativo, típico da crítica racional (não apologética) ao modo de produção dominante no mundo: o modo de produção capitalista. É por isso que, em algumas ocasiões, fui legitimamente questionado sobre qual é a minha proposta para superar o que analiso, sem qualquer condescendência. Certamente penso que a maioria dos autores críticos da ordem hegemônica atual se esquece, talvez por uma questão de dificuldade intelectual e imprecisão, de analisar propostas positivas que ajudem a superar o que criticamos. Abordar esse último ponto é essencial, porque, do contrário, a crítica pela crítica é um desperdício de energia completamente inútil.

Motivado pelo exposto, este texto apresenta uma breve comparação crítica entre os modos de produção capitalista e comunista, tendo em vista que este último, por meio da abolição da propriedade privada dos meios de produção, representa a superação positiva das contradições inerentes ao primeiro. É importante deixar claro desde já que, além de alguns princípios gerais, não existe uma definição inequívoca de comunismo, por isso é bem provável que neste texto eu, em certos momentos, incorra na minha concepção pessoal do que significa esse modo de produção tão particular. Em última análise, este texto tem como objetivo discutir racionalmente uma alternativa positiva ao capitalismo, com o objetivo de estimular sua compreensão e busca no interesse da construção de uma sociedade científica, justa e sustentável.

O restante deste artigo está organizado da seguinte forma: a Seção 2 é dedicada a uma breve descrição do conceito de modo de produção, uma vez que este artigo trata do contraste entre dois modos de produção: capitalista e comunista. A seção 3 trata então da caracterização fundamental das relações sociais de produção e dos critérios orientadores dos modos de produção capitalista e comunista. A Seção 4 descreve uma comparação entre os dois nos termos acima mencionados. Por fim, a Seção 5 conclui o texto.

2. Modos de produção

Figura 1. Estruturação dos modos de produção

Desde tempos imemoriais, para sua sobrevivência e desenvolvimento, toda sociedade precisa — repetidamente ao longo do tempo — produzir, distribuir e consumir seus meios de subsistência no que é conhecido como processo econômico. Para conseguir isso, é essencial, em primeira instância, que a força de trabalho humana utilize os meios de produção necessários e disponíveis (por exemplo, matérias-primas e ferramentas). No nível social, a combinação de força de trabalho e meios de produção é chamada de forças produtivas. Essas forças produtivas são organizadas segundo certas relações sociais de produção, que têm a particularidade de serem históricas, ou seja, transitórias, limitadas no tempo. As relações sociais de produção são inseparáveis ​​dos diferentes agentes de produção social, geralmente organizados em diferentes classes sociais. A composição das forças produtivas e das relações sociais de produção constituem o que é conhecido como estrutura ou base econômica. Por fim, a base econômica determina como a superestrutura é constituída, ou seja, como elementos como os sistemas político e jurídico, aspectos culturais, etc., são articulados para sustentar essa base econômica. É claro que, embora a base econômica seja o pilar da superestrutura, esta também influencia a primeira por meio de um processo dialético, não estando, portanto, isenta de contradições e tensões que podem eventualmente levar à substituição da base econômica em questão por uma nova. Em resumo, e de acordo com a Figura 1, um modo de produção pode ser definido como uma base econômica particular juntamente com a superestrutura por ela expressa.

A humanidade experimentou vários modos de produção ao longo de sua história, sendo os mais notáveis, em ordem cronológica, a comuna primitiva, a escravidão, o feudalismo e o capitalismo. O trabalho humano é o elemento central comum a todos eles. Suponhamos então que o valor total da produção P de uma sociedade de mercado é V. Além disso, suponhamos também que V é equivalente à soma vf + vm + ve ≡ V , onde vf é o valor da parte da produção destinada à reprodução da força de trabalho (isto é, ao consumo necessário dos produtores diretos), vm é o valor dos meios de produção "incorporados", total ou parcialmente, em P , e ve é o valor da parte do produto excedente. Se ve >0, parte ou a totalidade de ve pode ser usada para acumulação, a fim de expandir a escala de reprodução social, que é identificada com o crescimento econômico. Observe também que o novo valor criado pelo trabalho humano e incorporado ao produto total P é vf + ve , ou seja, o valor do produto total, V , após descontar o valor dos meios de produção "integrados", vm.

Nesta seção apresentamos algumas categorias e conceitos básicos necessários para discussão posterior. Como estrutura analítica geral, tais categorias e conceitos nos ajudarão a caracterizar os modos de produção capitalista e comunista em relação aos pontos fundamentais desses modos que compararemos.

3. Sobre as relações sociais de produção e os critérios orientadores

Se, como mencionamos anteriormente, o trabalho humano é o elemento central comum a todos os modos de produção, em contrapartida, podemos considerar as relações sociais de produção como o elemento mais característico e distintivo de cada modo particular de produção. Por esta razão, nesta seção, descrevemos brevemente as relações sociais de produção e os critérios orientadores no capitalismo e no comunismo.

3.1 No capitalismo

A produção social na economia capitalista assume a forma de mercadorias cuja realização no mercado depende essencialmente da relação entre oferta e demanda. A economia capitalista é a economia de mercado por excelência, pois até a força de trabalho é uma mercadoria nela. O processo econômico capitalista é desenvolvido, grosso modo , por duas grandes classes sociais: a classe capitalista e a classe trabalhadora. O primeiro detém os meios de produção da sociedade, enquanto o segundo não os possui. Para obter seu sustento, a classe trabalhadora vende sua força de trabalho para a classe capitalista, que explora (objetivamente falando) essa força de trabalho para obter lucro privado. Especificamente, vf aqui é igual à soma dos salários e outros custos trabalhistas, bem como à mais-valia ve , conhecida como mais-valia no modo de produção capitalista, que é apropriada gratuitamente — sem qualquer compensação à classe trabalhadora — por toda a classe capitalista em primeira instância. Em condições normais, ele se divide principalmente em duas partes de magnitude diferente, dedicadas à acumulação (cuja dimensão é imposta pela concorrência) e ao consumo improdutivo da classe capitalista. Para viabilizar o processo de produção, esta classe deve adiantar capital no valor de vf + vm . O lucro privado é o resultado da redistribuição da mais-valia entre diferentes agentes capitalistas como resultado da competição.

O critério orientador do modo de produção capitalista é a maximização da rentabilidade ou taxa de lucro, g' , definida como o quociente entre a mais-valia e o capital adiantado para a produção, ou seja, g' ≡ ve / ( vf + vm ).

Cada capitalista individual tem várias maneiras de aumentar a lucratividade de seu investimento específico, incluindo redução de salários, aumento de horas de trabalho e aumento de produtividade, por exemplo, por meio da mecanização dos processos de produção.

3.2 No comunismo

A produção social no comunismo está fundamentalmente focada na geração de valores de uso destinados a satisfazer as necessidades da humanidade, necessidades cuja determinação é social e função do contexto histórico e geográfico. A produção social não assume a forma de mercadorias, pois o comunismo não corresponde a uma economia de mercado. Ao contrário, a produção é orientada para cobrir integralmente a demanda social material. Ou seja, graças ao planejamento, o uso das forças produtivas disponíveis é otimizado de modo que, se estivéssemos falando de uma economia de mercado, não haveria descompasso entre oferta e demanda. Assim, a figura do dinheiro se tornaria uma coisa do passado (a medição, necessária ao planejamento econômico, da quantidade de trabalho investido nos diferentes ramos de produção seria realizada diretamente por meio da quantificação dos tempos de produção).

A possibilidade do exposto acima é explicada pela socialização dos meios de produção ligada à supressão das classes sociais. Em outras palavras, sob o comunismo não existe mais uma classe social que, graças à exibição dos meios de produção da sociedade, explora o trabalho de outros para lucro privado. Em contraste, todo indivíduo capaz de trabalhar deve trabalhar para produzir um equivalente (ou seja, alcançar) seus meios de subsistência, que formam parte da demanda social material total.

Como já mencionado no início desta subseção, o critério norteador do comunismo é a produção de valores de uso P que satisfaçam as necessidades da humanidade, possibilitando assim a reprodução da sociedade ao longo do tempo. Se P ≡ pf + pm + pe , então pf representa aqui os meios de subsistência (no sentido amplo) de todos os indivíduos da sociedade com capacidade de trabalho que precisam trabalhar para obtê-los, enquanto pm é a parcela do produto que substitui os meios de produção consumidos na geração de todos os meios de subsistência da sociedade. Por outro lado, o produto excedente pe é dividido em dois componentes de magnitude diferente dedicados a 1) uma acumulação projetada de acordo com as necessidades do crescimento econômico da sociedade como um todo, e 2) a fornecer (junto com um fundo de contingência) os meios de vida de todos os indivíduos da sociedade que não estão aptos para o trabalho: menores, doentes crônicos, idosos, etc. A possibilidade de materializar essa produção e distribuição racional depende do planejamento do processo socioeconômico. Seu sucesso é possível no século XXI graças à força de trabalho altamente qualificada aliada ao progresso científico e tecnológico inigualável da Era da Informação.

4. Comparação entre capitalismo e comunismo

Com base em tudo o que foi apresentado até agora, nesta seção abordamos uma comparação sucinta entre capitalismo e comunismo em termos (todos inter-relacionados) de emprego, desigualdade e pobreza, moradia e serviços públicos, crise, meio ambiente e sustentabilidade.

4.1 Emprego

Como já sabemos, a força de trabalho no capitalismo é um tipo (especial devido à sua capacidade de gerar novo valor) de mercadoria. Sua realização no mercado, como a de toda mercadoria, está sujeita à relação entre oferta e demanda. Em última análise, o desemprego no capitalismo, que é indissociável desse modo de produção, nada mais é do que o resultado de uma oferta de trabalho maior do que a demanda por ele. A razão para a possibilidade de tal discrepância reside no fato de que o valor de uso da força de trabalho para seu comprador, isto é, para a classe capitalista, é a valorização de seu capital. Se a classe social detentora dos meios de produção não julgar adequado, com base no critério de maximização da rentabilidade do seu investimento, adquirir um volume maior de força de trabalho apesar da existência de um excedente de oferta, ocorrerá desemprego. Em contraste, o desemprego no modo de produção comunista é praticamente inexistente, pois devemos lembrar que todos os indivíduos na sociedade que são capazes de trabalhar devem trabalhar, dentro da estrutura de uma economia planejada, para produzir seus meios de subsistência e aqueles que, por qualquer motivo, são inaptos para o trabalho. Levando em conta 1) a alta produtividade das forças produtivas hoje e 2) que os atuais desempregados e indivíduos da classe capitalista e das classes privilegiadas em geral iriam trabalhar no comunismo, pode-se prever que, em média, cada indivíduo na sociedade comunista precisaria trabalhar algumas horas por semana, podendo dedicar a maior parte de sua vida ao prazer e ao desenvolvimento pessoal e social.

4.2 Desigualdade e pobreza

De fato, a questão da desigualdade e da pobreza inerente a ela está conectada aos demais pontos discutidos nesta seção. Consequentemente, apenas algumas linhas gerais serão delineadas aqui.

No modo de produção capitalista, a origem da desigualdade e da pobreza está na existência de uma classe social que detém os meios de produção e, portanto, o poder (apesar das contradições e tensões existentes) de direcionar a produção social de riqueza material de acordo com seus interesses privados de classe. Para isso, contribuem elementos fundamentais da superestrutura, como os Estados e suas políticas, materializados em acordos como o Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia e seus corolários, como sucessivas reformas voltadas à desregulamentação extrema do mercado de trabalho. Dessa forma, continua ocorrendo uma transferência contínua de valor da renda do trabalho para a renda do capital. Essa crescente desigualdade de classes se reflete em eventos como os que ocorreram nos últimos verões: enquanto milionários aproveitam férias luxuosas, milhares de crianças andaluzas, por falta de recursos, têm que recorrer aos refeitórios escolares para obter nutrição adequada. Em contrapartida, graças à socialização dos meios de produção, no comunismo não há uma classe social que se beneficie da apropriação gratuita do produto do trabalho alheio, mas sim cada indivíduo com capacidade de trabalho produz um equivalente aos seus próprios meios de subsistência. Em outras palavras, exceto no caso daqueles que, devido a circunstâncias objetivas, não podem trabalhar, cada indivíduo na sociedade comunista só pode se apropriar dos frutos de seu próprio trabalho. O resultado é que a desigualdade é minimizada e a pobreza também está desaparecendo, dado o alto nível de desenvolvimento das forças produtivas da humanidade hoje.

4.3 Habitação e serviços públicos

Moradia é uma mercadoria no modo de produção capitalista e, como tal, está sujeita à especulação, preços excessivos (em relação ao seu valor) e desequilíbrios de mercado que fazem com que um grande número de pessoas não tenha acesso a uma moradia — ou tenha acesso a ela em condições abusivas. Por outro lado, os chamados estados de bem-estar social, que, apesar dos obstáculos à acumulação, foram possíveis de construir dentro das condições excepcionais que surgiram após o fim da Segunda Guerra Mundial, foram sistematicamente desmantelados desde a década de 1970. Em outras palavras, as crescentes dificuldades na valorização do capital, que podem ser explicadas pela lei da queda tendencial da taxa de lucro (ver próxima subseção) e que se refletem no emprego e na crescente desigualdade acima discutidos, favorecem a privatização a todo custo de serviços públicos como, por exemplo, saúde, educação e aposentadorias. A conversão de um serviço público em um negócio privado, regido pela lógica da lucratividade, é prejudicial aos interesses da maioria da sociedade. Um exemplo não tão distante disso é que, contrariando a lógica de atendimento às necessidades sociais, grupos privados de saúde economizaram em custos trabalhistas em meio à pandemia da COVID-19, quando os recursos de saúde do sistema público se mostraram insuficientes. Muito pelo contrário, tendo em vista que o princípio norteador do comunismo é a produção de valores de uso destinados à satisfação das necessidades da humanidade, sendo a moradia, a saúde, a educação e a produção de meios de subsistência para os indivíduos incapazes de trabalhar necessidades sociais básicas, sua cobertura é garantida por meio do planejamento econômico neste modo de produção.

4.4 Crise

Também são inerentes ao modo de produção capitalista as inevitáveis ​​crises econômicas (como interrupção do ritmo de acumulação), que têm natureza cíclica. As crises promovem a destruição das forças produtivas e a centralização do capital, retirando do mercado o capital menos competitivo. Isso leva à assalariação de antigos trabalhadores autônomos e capitalistas, juntamente com a concentração de riqueza em menos mãos (ou seja, um aumento nas desigualdades sociais). No modo de produção capitalista, podemos distinguir dois tipos de crises: as de desequilíbrio de mercado e as de escassez de mais-valia. O segundo tipo é de muito maior importância; essas classes de crises são descritas abaixo.

Crise de desequilíbrio de mercado. Esse tipo de crise tem origem na desproporcionalidade entre os diferentes setores da produção social em termos de oferta e demanda, o que, dependendo da perspectiva dada por cada setor, pode resultar em crises de superprodução ou crises de realização. A raiz dessas crises está no fato de que a produção no capitalismo é fruto de múltiplas decisões individuais alinhadas à chamada liberdade econômica. Assim, alcançar uma reprodução equilibrada, ou seja, sem desproporcionalidades intersetoriais, só pode ser fruto do acaso. Portanto, somente um planejamento racional do processo econômico pode evitar esse tipo de crise e, assim, permitir uma reprodução equilibrada. Entretanto, o planejamento econômico contradiz o princípio da liberdade econômica e, portanto, não é viável sob o capitalismo. Pelo contrário, um tipo equivalente de crise (e dizemos conscientemente "equivalente", já que a sociedade comunista não é uma sociedade de mercado) não pode ocorrer sob o modo de produção comunista, pois o uso das forças produtivas disponíveis é otimizado por meio de planejamento para cobrir estritamente a demanda social material.

Crise de escassez de mais-valia. A explicação para as crises de escassez de mais-valia encontra-se na lei da tendência de queda da taxa de lucro, que enunciamos a seguir. No modo de produção capitalista, as razões ve / vf e vm / vf são conhecidas como taxa de mais-valia, pv' , e composição orgânica do capital, q , respectivamente. A partir dessas definições, a taxa de lucro g' expressa indiretamente pela equação g' ≡ ve / ( vf + vm ) pode ser escrita como g' = pv' / (1 + q ) ≡( ve / vf ) / (1+ ( vm / vf )) = ve / ( vf + vm ).

Para melhorar sua posição competitiva no mercado, cada capitalista individual busca a mecanização (automação) de seus processos de produção para aumentar sua produtividade. Em termos agregados, esse comportamento ao longo do tempo tende a aumentar a composição orgânica do capital q devido a uma menor necessidade de trabalho (menor vf ), bem como a um investimento potencialmente maior em meios de produção (maior vm ). Tal aumento em q faz com que a taxa de lucro g' tenda a cair, o que a classe capitalista pode mitigar de forma limitada e temporária, intensificando a exploração do trabalho (ou seja, aumentando pv' ). Por exemplo, isso revela a causalidade subjacente entre a Grande Recessão de 2008 e as reformas subsequentes para desregulamentação extrema do mercado de trabalho na Espanha. O aspecto mais interessante desse desenvolvimento, conhecido como lei da tendência de queda da taxa de lucro (verificada e empiricamente verificável), é que ele demonstra que o modo de produção capitalista tem limites históricos inerentes à sua própria dinâmica de acumulação. É claro que, como essa dinâmica é propriedade exclusiva do modo de produção capitalista, crises de escassez de mais-valia não podem ocorrer fora dele, em geral, nem, portanto, no comunismo (que nem sequer contempla o conceito de mais-valia), em particular. Neste último caso, crises como a Grande Recessão de 2008 entrariam para a história.

Em princípio, não há razão objetiva para identificar a possibilidade de qualquer tipo de crise de natureza econômica sob o modo de produção comunista, além da ocorrência de uma escassez generalizada de recursos materiais ou de uma destruição substancial das forças produtivas em geral (por exemplo, devido à ocorrência de uma catástrofe natural imprevista de vastas dimensões). Entretanto, esse problema relativamente improvável, por afetar o próprio trabalho da sociedade, seria transversal a todos os modos de produção e não endógeno ao comunismo (note-se que o evento acima mencionado de uma catástrofe natural imprevista de vastas dimensões que implique a ocorrência de uma escassez generalizada de recursos materiais ou uma destruição substancial das forças produtivas em geral, é muito mais provável sob o modo de produção capitalista devido à aceleração das mudanças climáticas dele derivadas). Além disso, não devemos perder de vista o fato de que, como mencionamos acima, as próprias crises do capitalismo implicam a destruição de forças produtivas.

4.5 Meio ambiente e sustentabilidade

Que a atividade humana tem um impacto ambiental é inegável. Especificamente, a pegada ecológica prejudicial causada principalmente pelo uso de combustíveis fósseis é irrefutável, um uso que é inseparável da liberdade econômica inerente ao modo de produção capitalista. Seu uso acelera as mudanças climáticas, que colocam em risco a sobrevivência da nossa espécie, do nosso planeta como o conhecemos e, portanto, contraditoriamente mais uma vez, o próprio modo de produção, em um ato de suicídio. A sobrevivência da humanidade é a mais inevitável das necessidades sociais. É por isso que o comunismo garante a reprodução social ambientalmente sustentável por meio do planejamento econômico.

5. Conclusão

Neste artigo, depois de apresentar alguns fundamentos teóricos úteis para a discussão subsequente, fizemos uma breve comparação crítica entre os modos de produção capitalista e comunista em termos de emprego, desigualdade e pobreza, habitação e serviços públicos, crise, meio ambiente e sustentabilidade. Como vimos, todas essas questões estão inter-relacionadas, de modo que sua solução só pode ser abordada de uma maneira, por assim dizer, holística. Sendo o modo de produção capitalista o menor denominador comum em tais questões, conclui-se que é necessário superar positivamente esse modo de produção por meio da socialização dos meios de produção, abandonando a lógica da lucratividade em favor de um novo critério norteador do processo econômico baseado na produção de valores de uso que satisfaçam as necessidades da humanidade como um todo. Como reflexão adicional, considere a grande quantidade de pesquisas científicas (por exemplo, no campo da medicina) cujos resultados potenciais seriam benéficos para a humanidade, mas que são arquivadas porque não são lucrativas.

Por fim, este artigo busca humildemente contribuir para estimular essa mudança na consciência social no nível da superestrutura, que é essencial para a transformação da base econômica.



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