domingo, 30 de março de 2025

O marxismo neoliberal da USP


LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA*

Fábio Mascaro Querido acaba de dar uma notável contribuição à história intelectual do Brasil ao publicar “Lugar periférico, ideias modernas”, no qual estuda o que ele denomina “marxismo acadêmico da USP

Fábio Mascaro Querido acaba de publicar Lugar periférico, ideias modernas, no qual estuda o que ele denomina “marxismo acadêmico da USP” – um grupo de intelectuais que, nos anos 1960, se aproximou do marxismo, que surgira com força na Europa no após-guerra e alcançara o Brasil. Esses intelectuais, principalmente sociólogos, criaram o “Seminário Marx” ou “Grupo do Capital” para estudar Marx, o qual, sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso, teve duas versões, a primeira, em 1958, puramente acadêmica, e a segunda, de caráter mais político, após o golpe militar de 1964.

A coalizão de Macron e Starmer para a matança em meio à guerra insana da Europa

© Foto: Domínio público

Editorial

A Rússia venceu a guerra por procuração que a OTAN instigou. Até os americanos normalmente entusiasmados percebem isso.

Se houvesse um prêmio para conferências com nomes orwellianos, a realizada esta semana em Paris certamente seria uma das principais concorrentes.

No mês passado, houve uma série de tais reuniões em Londres, Bruxelas e Paris. Elas foram conduzidas em um frenesi para frustrar a paz e prolongar a guerra – sob o pretexto de “buscar segurança” contra a Rússia.

Quase todos os fracassos de Bolsonaro

Jair Bolsonaro (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

“Sucesso como fracassado desde o tempo em que era tenente, o chefe do golpe frustrado está perto de fracassar de novo”, escreve o colunista Moisés Mendes

Moisés Mendes

Bolsonaro fracassou nos quartéis como tenente medíocre que sempre foi. Falhou como líder de tentativas de motim e de atentados dentro das Forças Armadas. Fracassou como deputado que nunca fez nada de relevante ou de irrelevante e nem turma tinha na Câmara. Falhou como presidente que não sabia nada de economia e empurrou o país para a estagnação. Fracassou ao tentar criar, como se fosse um negócio, um partido para a família. Fracassou como vendedor de cloroquina como milagre que iria salvar a humanidade. Fracassou ao abrir as portas do governo para o fracasso da quadrilha de coronéis vampiros das vacinas. Falhou ao almejar um segundo mandato e ser o primeiro presidente derrotado na tentativa de reeleição. Falhou ao ser vencido no voto pelo homem que a Lava-Jato prendera para que o próprio Bolsonaro vencesse a eleição de 2018. Fracassou ao inventar que um filho poderia ser embaixador nos Estados Unidos porque fritava hambúrguer. Falhou e não convenceu ninguém ao fingir que o sistema eleitoral brasileiro poderia ser fraudado. Falhou ao articular com os militares um golpe em que todos os chefes fugiriam e deixariam os manés sozinhos para invadir Brasília. Falhou como muambeiro ao tentar vender joias e um cavalo com as patas quebradas que o governo recebera de presente. Falhou ao planejar uma fuga para a Hungria e desistir de fugir. Fracassou ao tentar convencer que havia sido convidado como um dos líderes mundiais do fascismo para a posse de Trump e na verdade ser esnobado pelo neonazista. Falhou ao ver do alto de um caminhão uma aglomeração em Copacabana flopar pela segunda vez. Fracassou ao tentar tirar Moraes, Zanin e Dino do julgamento dos golpistas. Falhou ao perder o controle do próprio bolsonarismo e ver aliados o abandonarem às vésperas da prisão. Fracassou ao ir ao Supremo e achar que iria amedrontar Alexandre de Moraes. Fracassou tanto que não voltou no dia seguinte. Pode fracassar como presidiário, se continuar chorando cada vez que fala do dia em que será preso. E poderá, se morrer na prisão, como diz que pode acontecer, fracassar também como um morto que poucos, incluindo os fascistas, ainda gostariam de ver cambaleando por aí vivo.



Ingovernável

Fotografia de Nathaniel St. Clair

O caos atual acontecendo nos EUA é, claro, nada de novo — mas para os cidadãos, é mais uma situação de venda nos olhos, onde a patologia é clara para todos que remotamente abrem os olhos. A luta contínua pela humanidade pode ser simplesmente destilada em alguns dilemas claros. O problema abrangente com um subgrupo claro de indivíduos é que eles veem toda a matéria presente no mundo como uma mercadoria, incluindo outros humanos, e simplesmente não conseguem compreender um mundo de reciprocidade ou qualquer tipo de obrigação de decência. Em vez disso, eles só entendem a dinâmica de dominação e subjugação, uma visão de mundo não ligada à felicidade de nenhuma forma. Isso, é claro, é essencial para seu mergulho em uma loucura pessoal ainda mais profunda com os outros como danos colaterais. Infelizmente, não descobrimos uma maneira bem-sucedida de conter a influência desses, os piores da nossa espécie. Na verdade, ser sanguinário e sem empatia tem sido mais um caminho para o sucesso material e poder do que se comportar com gentileza e decência. Esses indivíduos são as pílulas de veneno da sociedade.

O interpretativismo nas decisões do STF

Imagem: Pavel Danilyuk

DAVI R. MARTINS*

A visão dworkiniana do direito oferece uma lente poderosa para compreender a atuação do STF no ordenamento jurídico brasileiro

Este artigo examina o direito constitucional brasileiro sob a ótica do pensamento de Ronald Dworkin, com foco no controle concentrado de constitucionalidade e no papel do Supremo Tribunal Federal (STF). A partir da obra Levando os direitos a sério (1977), busca-se identificar a influência do interpretativismo dworkiniano nas decisões do STF, desafiando a predominância do positivismo no ordenamento jurídico nacional.

sábado, 29 de março de 2025

Alauitas e cristãos: por trás do massacre silencioso e sectário na Síria

Crédito da foto: The Cradle

Os novos governantes do HTS da Síria desencadearam uma campanha de retaliação sectária contra as comunidades alauíta e cristã — um genocídio em andamento que não foi recebido com indignação, mas com propostas diplomáticas aos novos senhores da guerra da Al-Qaeda, que agora governam em Damasco.


Os massacres e a repressão de alauítas e cristãos na Síria começaram imediatamente após a queda de Damasco e continuaram nos últimos três meses e meio.

Em 7 de dezembro de 2024, um dia após a capital ser tomada por militantes de Idlib, Israel começou a bombardear o território sírio e enviou tanques para o sul do país.

Até Ben Gurion demonstrou que os palestinos são descendentes dos antigos hebreus

© Foto: Domínio público

As conversões confundem tudo. As religiões migraram mais do que as populações, escreve Bruna Frascolla.

Bruna Frascolla
strategic-culture.su/

A retomada do massacre infanticida em Gaza nos leva a crer que Netanyahu conseguirá levar adiante o objetivo histórico do sionismo de tornar residuais as presenças islâmica e cristã na antiga Palestina britânica. É, portanto, oportuno divulgar a história da população que está sendo exterminada daquela terra. Para isso, utilizaremos informações disponíveis em A Invenção do Povo Judeu, do historiador Shlomo Sand. Ele é israelense, serviu no exército e vive na França. O livro foi publicado em 2008, quando a temperatura não estava tão alta.

Jornalistas do BRICS denunciam violência ucraniana contra imprensa russa

© Foto: Domínio público

Lucas Leiroz
strategic-culture.su/

O regime de Kiev tem matado deliberadamente jornalistas russos na zona de conflito, o que é um crime segundo o direito internacional.

Nos últimos dias, a violência contra jornalistas russos na Ucrânia atingiu um nível alarmante. Vários profissionais da mídia, que estavam na linha de frente do conflito, foram mortos ou gravemente feridos em ataques realizados pelas Forças Armadas Ucranianas. Essa situação, que já vinha sendo observada com preocupação por organizações internacionais, culminou em um apelo formal da Associação de Jornalistas do BRICS, da qual sou fundador e copresidente. Em uma carta endereçada à UNESCO, denunciamos esses assassinatos como uma grave violação do direito internacional, especialmente das normas estabelecidas pelas Convenções de Genebra.