O futebol é uma paixão nacional! Isto é um clichê, mas é real. Jogo da seleção faz o Brasil parar! Também virou clichê, mas é real. O que não são clichês, são algumas verdades que envolvem o futebol nacional. Verdades que assustam, que doem, que revoltam.
Pesquisa encomendada pela CBF em 2025 revelou que 78% dos pesquisados revelaram torcer para algum time. Grosso modo, mais de ¾ da população brasileira “gosta de futebol”. Isso sem a Seleção ser considerada, haja vista num jogo de Copa do Mundo, o Brasil simplesmente parar.
Esse é o lado visível que de alguma maneira a maioria da a sociedade tem algo a ver.
Mas há o lado que a Televisão não mostra, que não discute, que faz de conta não existir, ainda que ganhe muito dinheiro com essa circunstância.
A situação da maioria do jogador de futebol no Brasil é vergonhosa, para dizer o mínimo. É o que nos faz sentir, quando observamos os dados revelados pela própria CBF ao levantar a situação salarial dos atores do espetáculo.
“Segundo um levantamento produzido pela CBF em 2019, de todos os cerca de 90 mil jogadores profissionais registrados no Brasil, 55% ganham menos de R$ 1 mil mensais.Um terço dos atletas (33%) recebe entre R$ 1.001 e R$ 5 mil por mês.Ou seja, apenas 12% dos jogadores no país ganham acima de R$ 5 mil, sendo 5% na faixa de R$ 5 mil a R$ 10 mil, e 4% entre R$ 10 mil e R$ 50 mil.A partir daí, cerca de 1% ganha entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, 1% de R$ 100 mil a R$ 200 mil, e 1% de R$ 200 a R$ 500 mil.Somente os principais jogadores dos times mais ricos, algo em torno de 20 a 30 nomes, ganham mais que R$ 500 mil mensais.”
É ou não é de fazer vergonha? É quando me dou conta, ao ligar a TV e assistir ao jogo entre Sampaio Corrêa-RJ e Desportiva-ES, pela primeira fase da Copa do Brasil, o mais populista campeonato do futebol nacional.
Vi ali dois times pequenos jogando, que é parte do espetáculo que, grosso modo, é do “gosto” de aproximadamente 78% da sociedade brasileira. E pensei estarem ali vários jogadores, senão a maioria, que ganham entre 1 e 5 mil reais por mês. E pior, sabendo que, como faço parte da audiência, quem verdadeiramente ganha e enriquece com esse colosso, chamado futebol, são pessoas e grupos intermediários.
Assim seguimos, com milhares de atores sobrevivendo com migalhas, enriquecendo mais e mais os grupos de mídia e outros atravessadores, enquanto não vem um debate sério, um projeto de melhoria dos empregos que já existem e de outros a serem criados em torno de uma atividade que envolve milhões de pessoas apaixonadas.
Por fim, vejo o futebol como uma atividade de relevância nacional, pelo número de profissionais envolvidos diretamente, por seus familiares, auxiliares dos clubes e pela massa que vibra com um gol, que na catarse de um título não percebe que os verdadeiros responsáveis vivem quase na pobreza e sob o condão da injustiça nacional.
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Obs.:
Não poderia ser diferente?
Claro que poderia!
Basta 10 por cento dos 61 bilhões destinados às emendas parlamentares em 2026 para financiar o futebol brasileiro.
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