quarta-feira, 21 de junho de 2017

Os famosos que apoiaram Aécio deveriam pedir desculpas como fez Tony Ramos com a Friboi. Por Donato



“Tem caráter, é honesto e, principalmente, porque é a mudança segura”, diz o ex-jogador Ronaldo.

“Se você pode escolher o caminho bom, por que escolher o caminho errado?”, pergunta o músico Fernando Brant.

Esses são dois dos ‘famosos’ que apoiavam Aécio Neves em 2014 e para ele fizeram campanha.

Assim como Brant, também acreditavam que o neto de Tancredo seria o ‘caminho certo’ os artistas Zezé di Camargo, Chitãozinho e Xororó, Fagner, Wanessa Camargo, Tuca Fernandes (?), César Menotti e Fabiano, Chrystian, Bruno e Marrone, Fafá de Belem, Tianastácia, Marcio Garcia, Paula Burlamaqui, entre outros cantores, jogadores de futebol, ‘celebridades’ de sabe-se lá onde.

A lista chama atenção pela capacidade de reunir uma quantidade impressionante de artistas ruins em míseros 5 minutos de vídeo.

Mas independentemente da qualidade de seus trabalhos, ainda são figuras públicas hoje. Nenhum deles virá a público se desculpar, fazer um mea culpa, afirmar ter sido traído?

O ator Tony Ramos, que era garoto-propaganda da Friboi (empresa da JBS), após os vazamentos dos áudios de Joesley Batista disse ter sido ‘surpreendido como todo mundo’ e que pelo ‘incômodo’ que sentia, rompeu o contrato com a empresa.

“Com essa delação, há uma crise institucional e, ao mesmo tempo, um incômodo da minha parte em continuar emprestando meu nome não a um produto – esse eu não me envergonho, não me arrependo e continuarei a dizer como homem de palavra que sou, anunciei aquilo que eu consumia – vejo que nessa confusão enorme de informações, eu não emprestaria mais o meu nome”, declarou ontem em entrevista à Radio Gaúcha.

Elegante, Tony Ramos talvez não tenha buscado um gancho com o título da atração atual que protagoniza para declarar ‘vade retro’ se questionado fosse sobre manter os vínculos futuramente depois de todo escândalo de corrupção envolvendo a JBS.

“O meu sentimento é de estupor, de absoluta tristeza e melancolia, que é a pior coisa. Não adianta a ira nesse momento”, completou ator.

Se não se declarou ‘envergonhado’ – até porque não tem culpa de nada – Tony Ramos pelo menos não deu uma de avestruz. Rompeu o contrato e tem vindo mostrar a cara e dar declarações.

Não poderia ficar indiferente a um contratante que tem executivos condenados a pagar multa de R$ 225 milhões, que expôs sua participação na podridão da obtenção de medidas provisórias que o beneficiavam, que, ao contrário do ator global, se arrepende da parceria e chama Michel Temer de ‘chefe da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil’ (como se dela não tivesse feito parte) e que por sua vez é apontado pelo desafeto Temer como ‘bandido notório’ e alguém que ‘desfia mentiras’.

O slogan da campanha presidencial de Aécio Neves era ‘Quem conhece confia’. Agora que o senador está com suas vísceras tão expostas quanto Michel Temer e que pode ser definido como alguém que ‘desfia mentiras’ como Joesley Safadão, nenhum de seus apoiadores seguirá o exemplo de Tony Ramos?

Se não vierem dar a cara à tapa, esses artistas estarão parodiando uma frase muito repetida nos últimos tempos. O já batido ‘Não venha com o papo de que foi enganado, você é que não sabia em quem estava votando’, perante o silêncio dos apoiadores precisa ser revisto. Pelo visto aqueles ‘famosos’ sabiam muito bem quem era o candidato, mas agora querem virar anônimos.

Jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.

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